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Thiago Ferrarezzi

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Sou um garoto bem comportado estudo o dia todo, estudo de madrugada, de final de semana, de feriado e até no natal, mas sempre acho um tempinho pra falar com as pessoas que gosto. "O que seria do mundo se não fosse Issac Newton, pois no principio disse Deus; haja luz e houve Newton"
Esta frase foi dita em um congresso cientifico quando os físicos relatavam sobre os descobrimentos de Newton no campo da Luz.
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4/1/2006

Balanço Real do Governo Alckmin, por Enio Tatto.

Impedir investigações e culpar os outros pela incompetência do governo Alckmin tem sido o esporte predileto dos tucanos em São Paulo.

A crise na Febem, culpa das prefeituras, a demissão de 100 mil professores estaduais, culpa de uma funcionária de terceiro escalão do governo, as enchentes, culpa só da natureza, a crise na segurança pública, responsabilidade do governo federal.

São doze anos terceirizando responsabilidades.

Uma vez que o Governador Alckmin pretende concorrer à Presidência da República, é chegada a hora de assumir suas responsabilidades, principalmente através de uma análise rigorosa do que realmente foi seu governo e suas práticas políticas.

Suas marcas são:

1) o autoritarismo no trato com a sociedade, que o diga sua vinculação ideológico-religiosa com a Opus Dei - de acordo com a Revista Época -, o uso da polícia para reprimir os movimentos sociais e a tentativa em derrubar as Audiências Públicas do Orçamento conduzidas por esta Assembléia em 2005;

2) a centralização administrativa em relação à destinação dos recursos públicos, através da política do “pires na mão” praticada junto aos prefeitos;

3) a privatização e a terceirização indiscriminada dos serviços públicos estaduais;

4) e a falta de investimentos na área social.

A falta de transparência e controle social deste governo podem ser medidas pelo impedimento da instalação de 67 CPI´s na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, ocultando da sociedade paulista as quase 1.000 irregularidades apontadas pelo Tribunal de Contas do Estado, tendo como casos emblemáticos os escândalos da Nossa Caixa , da CDHU, do Rodoanel, da TV Cultura, da Calha do Tietê, a crise da Febem e da Segurança Pública, entre tantos outros.

A falta de transparência do governo Alckmin depõe contra seu currículo. As poucas informações disponíveis dão conta de um cenário real bem mais grave.

Na crise da Febem, que atinge os 12 anos de governo tucano no Estado, temos uma mistura de descalabro administrativo e ineficácia da ação governamental.

Descalabro administrativo marcado pela dispensa de licitação em mais de 70% das obras contratadas no período Alckmin (produzindo a chamada “indústria da urgência”) e a falta de projeto pedagógico para os adolescentes, criando “mini-presídios” contrários ao Estatuto da Criança e do Adolescente.

Em várias unidades, “quem manda” são os internos, prevalecendo a ausência do Estado na reinserção social do adolescente infrator.

Ineficácia administrativa uma vez que o governador prometeu há um ano 41 unidades descentralizadas da Febem e entregará apenas 2 (segundo matéria do O Estado de São Paulo do dia 5 de março de 2006, caderno Cidades/Metrópole).

Já a desativação da Febem Tatuapé só aconteceu nos telejornais, uma vez que não se desativa nada quebrando apenas uma parede, conforme divulgado.

Na situação da CDHU, fica evidente a falta de uma política habitacional, valendo ressaltar a inoperância desta empresa pública para gastar os seus recursos disponíveis.

Nos últimos anos, vem sobrando dinheiro em caixa e faltando novas unidades habitacionais (conforme reportagem do O Estado de São Paulo do dia 20 de julho de 2005). Entre 2002 e 2004 deixaram de ser gastos em habitação cerca de R$ 1,2 bilhão.

Sem contar as cerca de 300 irregularidades apontadas pelo TCE nos contratos de empreitada global da CDHU, revelando a continuidade do famoso “esquema Goro Hama”.

Como exemplo concreto, em Carapicuíba, tem sido desmascarado um esquema de falcatruas na entrega de apartamentos da CDHU através de uma CPI local, levando à provável cassação de um vereador e o indiciamento de muitas outras autoridades. Tudo indica que este esquema possui outras conexões, mas na Assembléia Legislativa nada se pode investigar.

No Rodoanel, o que vimos foram contratos superfaturados em 70%, sendo que o trecho 1 (entre a Raposo Tavares e a Castelo Branco), para atender a fins eleitorais em 2002, foi feito a “toque de caixa”, deixando profundos problemas aos usuários e uma estrada inacabada. Mais ainda, o Tribunal de Contas da União julgou a obra irregular.

Na questão da “Calha do Tietê”, com um custo de mais de R$ 1 bilhão, encontramos contratos superfaturados no gerenciamento da obra e enchentes nos últimos anos.

O slogan da “Maior obra de saneamento do país” é mentiroso, já que as águas continuam totalmente poluídas e as obras concentraram-se na drenagem do rio. O slogan “Três anos sem enchentes” foi levado pela penúltima enxurrada.

Não podemos nos esquecer que as obras concentraram-se no trecho de maior visibilidade.

O tráfico de influência é outra marca deste governo. Podemos observar isso no caso Daslu, com a ingerência da filha do governador na obtenção do Regime Especial de Tributação para a boutique onde trabalhava.

Ou ainda no caso da privatização da Nossa Caixa Seguros e Previdência, onde o Sr. Rui Altenfelder, apesar de ser conselheiro do Grupo MAPFRE, também participou da reunião que definiu os termos da venda da Nossa Caixa para aquele grupo.

Na segurança pública e administração penitenciária, a situação é caótica. Presos comandando ações com celular dentro dos presídios e rebeliões por todos os lados revelam a mentira que é a política penitenciária tucana.

Na verdade a única coisa que temos é a transferência do Carandiru para o Interior, uma vez que em Hortolândia são mais de 8 mil presos confinados em situação precária.

Esta, por sinal, é a única política de interiorização do governo Alckmin.

A proliferação de presídios sem que haja real compensação aos municípios disseminaram violência e insegurança por todos os lados.

A falta de recursos para a segurança escolar e para a polícia técnica, a falta de policiais para conduzir as viaturas e os baixos salários dos delegados e policiais (os menores do país) reforçam o caos na Segurança Pública.

O salto no número de seqüestros resume este quadro de insegurança.

Só durante o período 2001/2005, o Governo Alckmin deixou de aplicar mais de R$ 600 milhões em recursos próprios na Segurança Pública, enquanto que o governo Lula repassou R$ 145 milhões para o Estado gastar nesta área.

Na educação e na saúde, os recursos constitucionais não aplicados chegaram a R$ 6,7 bilhões entre 2001 e 2005, levando professores, pais e alunos a fazerem “caixinha” para garantir equipamentos básicos dentro da sala de aula e das escolas técnicas (conforme matéria na Folha de São Paulo em 3 de novembro de 2005).

Outro exemplo da falta de investimentos na educação foi revelado hoje (30 de março de 2006), em reportagem da Folha de São Paulo: “Alckmin deixa seu governo mantendo 76 escolas de latão em todo o Estado”.

Ao derrubar o aumento de recursos para a educação (de 31% para 30%), aprovada por esta Assembléia em 2005, o governador Alckmin fez com que as escolas de lata ficassem de pé.

Cumpre lembrar que a escola em tempo integral dos tucanos, em período de eleições, não tem estrutura física, recursos humanos e atividades extracurriculares, segundo reclamação de pais e alunos. Mais ainda, será um privilégio de poucos (conforme reportagem na Folha de São Paulo no dia 30 de março de 2006).

A falta de política para o servidor público estadual também é uma marca registrada do Governo Alckmin.

Arrochando os salários, deixando de implantar um plano de cargos e carreiras digno, contratando através de fundações e OS´s (Organizações Sociais) e enfrentando um déficit de pessoal em setores estratégicos (como na segurança pública), os tucanos vêm gastando valores muito abaixo do limite prudencial previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal.

Só em 2005, deixaram de gastar pelo menos R$ 2,3 bilhões com o funcionalismo público estadual.

Em contrapartida, ampliaram o gasto com as terceirizações em quase R$ 3 bilhões nos últimos anos.

Se olharmos para a execução orçamentária de inúmeras ações prioritárias da área social, encontramos um quadro surpreendente.

Programas como o “Viva Leite”, o Programa de Saúde da Família do Estado (Qualis), as Frentes de Trabalho, a Atenção Básica na Assistência Social, as Campanhas de Vacinação, o Bom Prato ou ainda as Fábricas de Cultura deixaram de gastar quantias significativas em seus orçamentos previstos durante o período 2001/2005.

Só no Viva Leite, nos dois últimos anos, cerca de 130 mil crianças deixaram de ser atendidas.

Mais ainda, ficaram sem realizar seus respectivos orçamentos os programas de “Construção de Piscinões”, o “Melhor Caminho” (na recuperação das estradas vicinais), a “Expansão do Ensino Público Técnico” e o apoio às Santas Casas, conforme também observado pelas demandas da população durante as Audiências Públicas do Orçamento no ano passado.

Nas finanças públicas, mesmo privatizando mais de R$ 77 bilhões (em termos reais) até o final deste ano, o governo Alckmin deixará uma dívida pública na casa dos R$ 140 bilhões, um aumento de cerca de R$ 45 bilhões nos últimos cinco anos.

O tão propalado ajuste fiscal foi conquistado com a flexibilização de diversas metas, através de sucessivas negociações com o governo federal, inclusive em 2004, já durante o Governo Lula.

No investimento público, ao contrário do que se divulga, o governo Alckmin vem gastando apenas 3,6% em média do orçamento durante o período 2001/2004. O investimento na área social, por exemplo, foi de R$ 106 milhões abaixo do previsto apenas em 2005.

Enfim, o que se viu nestes doze anos foi um governo “cuidando de gente” apenas na propaganda. Pelo que podemos observar com o escândalo da Nossa Caixa, propaganda esta “muito bem direcionada”.

Apenas nos últimos três meses de 2005, o gasto com comunicação do governo Alckmin aumentou violentamente, conforme reportagem da Folha de São Paulo em 19 de março de 2006, crescendo em mais de 20% em 2005.

Os reais problemas do Estado, estes ficarão para os governos futuros.

 

 

Serra rasga promessa e entrega SP a ex-secretário de Pitta



O tucano José Serra rasgou nesta sexta-feira (31) o compromisso firmados duas vezes – verbalmente e por escrito - na campanha eleitoral de 2004, quanto prometeu caso, eleito, governar a cidade por 4 anos. Indiferente à palavra empenahda junto aos seus eleitores, Serra renunciou hoje ao cargo para disputar o governo de São Paulo no pleito deste ano. De quebra, entregou a cidade ao pefelista Gilberto Kassab, ex-secretário de Celso Pitta.

 

Como o governo do Estado também foi entregue ao PFL – com a saída de Geraldo Alckmin para disputar a presidência da República, assumiu o vice Cláudio Lembo -, o partido que mais representa a direita nacional agora vai ter controle sobre um orçamento R$ 98,5 bilhões (Estado mais município).

 

É a primeira vez que o PFL tem os dois principais cargos de São Paulo, embora o partido nunca tenham vencido uma eleição majoritária para tais postos. Muito pelo contrário: vitórias eleitorais relevantes, só tem duas, ambas para o Senado, e ambas com Romeu Tuma (em 1994 e 2002), quando estavam em disputa duas vagas.

O poder do PFL em São Paulo agora supera sua força na Bahia, seu tradicional reduto e terra de uma das principais lideranças pefelistas, Antonio Carlos Magalhães.

Tradicionalmente associado a Estados pequenos, sobretudo os do Nordeste, o PFL agora administra o maior Estado do país, com uma população estimada de 40,4 milhões de habitantes.

O orçamento do Estado de São Paulo é o segundo maior orçamento do país, com R$ 81,3 bilhões, de acordo com a secretaria estadual de Planejamento. É cerca de 10% do orçamento deste ano da União, que soma R$ 803,3 bilhões, segundo a lei orçamentária de 2006 (sem incluir o financiamento da dívida do país).

Já o orçamento da Prefeitura de São Paulo para 2006 é R$ 17,2 bi. É o quinto maior do país, ficando atrás somente dos orçamentos da União e dos Estados de SP, Minas Gerais (R$ 27 bi) e Rio Grande do Sul (R$ 19,5 bi). Os números são das leis orçamentárias de 2006.

A receita da prefeitura paulistana supera a de Estados grandes, como as da Bahia (R$ 16,4 bilhões) e do Rio de Janeiro (R$ 15,9 bi em 2005).

Cláudio Lembo fica no Palácio dos Bandeirantes até 31 de dezembro. Em janeiro de 2007, assumirá o governador a ser eleito em outubro. Já a gestão de Kassab será mais longa: até dezembro de 2008 - ano em que o pefelista também terá direito a disputar a reeleição.

1/24/2006

Alckmin ignora reforma agrária e cede fazenda a grupo ligado a Chalita

Uma fazenda de 87 hectares na cidade paulista de Lorena, que o Itesp (Instituto de Terras do Estado de São Paulo) pretendia usar para um projeto de reforma agrária, foi cedida pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) a uma rede católica ligada ao seu secretário de Educação, Gabriel Chalita.

Reportagem publicada no último sábado (20) pelo jornal Folha de S.Paulo mostra que a rede Canção Nova recebeu a cessão da fazenda, por tempo indeterminado, em dezembro de 2004, mesmo ano em que as terras eram reivindicadas pelo Itesp e pela Faenquil (Faculdade de Engenharia Química de Lorena), que pretendia ampliar seu campus.

A Canção Nova, que conta com editora, rádio e televisão, é uma entidade que se propõe a evangelizar "através dos meios de comunicação". Segundo o jornal, Chalita é uma das figuras centrais da programação da rede, com um programa diário de rádio e outro, semanal, de TV.

Leia a seguir a íntegra da reportagem, que é assinada pelo jornalista Victor Ramos:

O governo Geraldo Alckmin (PSDB) cedeu uma fazenda de 87 hectares - cerca de 54 vezes o parque Ibirapuera -, em Lorena (a 188 km de SP), à rede católica Canção Nova, ligada ao secretário da Educação, Gabriel Chalita.

A fazenda Centri também fora solicitada por pelo menos dois órgãos do próprio governo. O Itesp (Instituto de Terras do Estado de São Paulo) pretendia utilizar o local para reforma agrária. A Faenquil (Faculdade de Engenharia Química de Lorena), vizinha à área, pretendia ampliar seu campus. Preteridos, disseram que não foram avisados da decisão.

Tanto o governo do Estado quanto a rede Canção Nova negam que Chalita tenha influenciado a escolha.

A Canção Nova, fundada pelo padre Jonas Abib, é uma comunidade mantida pela Fundação João Paulo 2º, que busca "a evangelização através dos meios de comunicação". Para isso, conta com editora, rádio e televisão próprias.

Cotado para disputar o governo do Estado pelo PSDB, Chalita é uma das figuras centrais da programação da rede.

O secretário aparece com destaque em todos os meios, a começar da página de abertura do site. Ele apresenta um programa diário de rádio e outro, semanal, na televisão, além de ter um livro publicado pela editora Canção Nova.

Em seu programa de televisão da última quarta-feira (18), seus convidados foram justamente o governador Geraldo Alckmin e sua mulher, Lu Alckmin. Entre os temas da entrevista, a política.

Na sede do grupo, um complexo localizado em Cachoeira Paulista, cidade natal de Chalita, a imagem do secretário também é recorrente. Num galpão destinado para a realização de shows, por exemplo, há um pôster com cerca de 8 metros quadrados de um dos livros de Chalita, com duas fotos do secretário.

A fazenda do governo é vinculada à Secretaria Estadual de Recursos Hídricos e não estava sendo utilizada. Foi cedida para a Canção Nova em dezembro de 2004 por tempo indeterminado.

Hoje, nas dez casas da propriedade, moram funcionários da entidade. A fazenda produz alimentos para consumo dos fiéis que freqüentam a fundação e de seus funcionários. Há ainda projetos educacionais e na área de saúde.

Reforma agrária
A Faenquil, ligada à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico e Turismo do Estado, mandou em 2004 um ofício requerendo o terreno da fazenda para a ampliação de um dos seus campus, vizinho à propriedade do Estado.

"Pedimos aquela área, mas até hoje não tivemos resposta", disse o diretor-geral da Faenquil, João Batista de Almeida Silva. Ele considerou "lamentável" a decisão.

"A Canção Nova é forte politicamente aqui na região. O secretário da Educação é de Cachoeira Paulista e isso acaba influenciando", afirmou Silva.

Assim como a faculdade, o Itesp também manifestou interesse pela área. Depois de ser informado pelo Conselho do Patrimônio Imobiliário, em 1º de junho de 2004, de que o Estado possuía a fazenda Centri, o órgão vistoriou o local para verificar a viabilidade do imóvel para a implantação de um assentamento e concluiu que ele é apto para a reforma agrária.

O Itesp manifestou em 30 de junho de 2004 interesse pela área e passou a aguardar a decisão sobre o imóvel. Não recebeu, no entanto, nem a terra nem a resposta.

1/22/2006

Mídia flagra faz-de-conta e conta tudo

 

 

Tem dia que dá gosto ler jornal. Não porque algum deles deu um furo de 400 talheres ou porque, da primeira à última página, nenhuma palavra impressa briga com os fatos conhecidos – nem com o tão mal-tratado idioma.

Mas pela exposição singela e impecável de um “pequeno assassinato” – no caso, uma tentativa miúda de um político de passar a perna no distinto público.

Foi o que fizeram hoje, no Estado, a repórter Silvia Amorim; no Agora, em matéria também publicada na Folha, do mesmo grupo, os repórteres Carla Monique Bigatto e Almeida Rocha.

 

Eles cobriam um daqueles eventos chatíssimos que jornalista tem vontade de pagar ao patrão para não acompanhar – a inauguração, pelo prefeito José Serra, de um ambulatório municipal em Cidade Tiradentes, na zona leste de São Paulo.

 

O prefeito, como assinalou a repórter do Estadão, tem o hábito de posar para fotos testando equipamentos médicos nas unidades de saúde que visita.

São as tais photo-ops, oportunidades para fotografias, como os jornalistas americanos se referem às imagens produzidas que interessam ao fotografado, mas, por serem factóides, não têm nenhum valor jornalístico.

 

Ontem, ao percorrer o novo ambulatório, Serra – que além do mais é notório hipocondríaco – pediu para tirar a pressão. Para seu desconforto, um depois do outro depois do outro, os aparelhos 0 km negaram fogo.

 

Então, em vez de ordenar em alto e bom som que se apurassem os porquês do vexame e saísse batendo o pé ameaçando punir os responsáveis – o que até pegaria bem para um prefeito que quer ser presidente –, pediu à secretária municipal de Saúde, Maria Cristina Cury, que assumira o comando da operação, dado o nervosismo das enfermeiras, que encenasse uma farsa.

 

Disse-lhe, segundo o Estado, “Faça de conta que está funcionando.” Ou, segundo o Agora: “Finge que funciona.” Ela fez (ou fingiu) e cantou a pedra: “12 por 8”.

 

Azar deles. Do prefeito, porque jornalistas ouviram o que ele dissera em voz baixa. Da secretária, porque enrolou depois uma explicação, segundo a qual identificara a pressão do chefe só com o estetoscópio.

Para não deixar margem a dúvidas e numa louvável demonstração de zelo jornalístico pela verdade – mesmo quando ela é "mais pequena", como diria o presidente Lula –, o repórter-fotográfico Almeida Rocha também pediu para tirar a pressão no aparelho que brochara com Serra. Não deu outra: o ponteirinho mais uma vez não subiu.

 

E os leitores foram premiados com um raro flagrante de como os políticos costumam brincar de faz-de-conta com os eleitores, fingindo que os fatos são o que eles querem que sejam.

 
1/18/2006

Caso FURNAS

Entenda o Caso

O Caso furnas é a maior prova da corrupção do PSDB.

Leiam o relatório

Fiz um roteiro para orientar melhor a leitura do relatório.

As 7 páginas abaixo, fazem parte de material escrito sobre o caixa dois e corrupção na estatal Furnas, ocorrido em 2002. Os arquivos de 1 a 5 formam relatório de Dimas Fabiano Toledo, ex-diretor de Furnas. Os arquivos 6 e 7 são da perícia feita pelo Prof. Ricardo Molina. Os documentos apontam fatos gravíssimos. Na primeira página, vultuosos recursos foram transferidos para a campanha presidencial de Serra, contemplado com R$7.000.000,00 e de Geraldo Alckmin com R$9.300.000.00 e outros candidatos paulistas. Na página 2 são candidatos do Rio de Janeiro e o governador mineiro Aécio Neves, com R$ 5.500.000,00 e outros candidatos de Minas. Na página 3 segue a lista de Minas. Na página 4 completa-se a lista de Minas, com a irmã do Governador Aécio Neves, figura ativa no governo. e ainda aparece a lista de políticos de outros estados e inicia-se a lista de doadores, que será completada na página

6. A leitura mostra recursos financeiros para 2 ministros, dois governadores, dezenas de deputados, vários lideres partidários e ex-ministros. A página 3 é encabeçada pelo próprio filho do autor do relatório, que é Deputado Estadual em Minas. Finalmente é bom registrar a presença de expoentes das CPIs como: Alberto Goldman, Zulainê Cobra (P1), Eduardo Paes, Rodrigo Maia (P2) e ACM.neto (p4) como beneficiários. E o mais grave, a lista de doadores mostra que fundos de pensão e empresas públicas financiaram as campanhas eleitorais, caracterizando, crime de corrupção e formação de quadrilha. Logo após as páginas do documento, estão tabulados os dados por estado da federação e por partidos políticos.


Veja o texto completo com o Relatório na página...

http://www.pontoflash.com.br/furn@s/

Números são números. Não deixam dúvidas

13 comparações para se pensar:



1 - MÉDIAS BALANÇA COMERCIAL (bilhões de US$)
- FHC (PSDB) (1995/2002): -2,442
- Lula (PT) (2003/2005): +34,420 (recorde)


2 - SUPERÁVIT COMERCIAL (bilhões de US$)
- FHC (1995/2002): -8,7 (déficit)
- Lula (2003/2005): +103,0 (superávit)


3 - RISCO-PAÍS PTS
- FHC (Jan/2002): 1.445
- Lula (Jan/2006): 290 (recorde)


4 - JUROS
- FHC (Jan/2002): 25,00%
- Lula (Jan/2006): 18,00%


5 - INFLAÇÃO
- FHC(2002): 12,5%
- Lula(2005): 5,7%


6 - DÓLAR R$
- FHC (Jan/02): 3,53
- Lula (Jan/06): 2,30


7 - RANKING DO PIB MUNDIAL (PPP) (trilhões de US$)
- FHC (2002): 1,340 -> 10º
- Lula (2004): 1,492 -> 09º


8 - BOVESPA PTS
- FHC (Jan/02): 11.268
- Lula (Jan/06): 35.223 (recorde)


9 - DÍVIDA EXTERNA (bilhões de US$)
- FHC (2002): 210
- Lula (2005): 165 - E caindo mês a mês...


10 - DÍVIDA COM O FMI E COM O CLUBE DE PARIS EM DOLÁR
- FHC (2002): Os caloteiros do PSDB e PFL sumiam com o dinheiro
e não tinham coragem de falar o valor da dívida
- Lula (2005): 0,00


11 - SALÁRIO MÍNIMO (US$)
- FHC (2002): 56,50
- Lula (2005): 128,20


12 - DESEMPREGO
- FHC (2002): 12,2%
- Lula (2005): 9,6%


13 - TAXA ABAIXO DA LINHA DE PROBREZA
- FHC (2002): Não tinham capacidade para controlar mais este
índice, que segundo dados ultrapassavam os 35%.
- Lula (2004): 25,1%


+10 Questões que Não podem ser esquecidas:

1) Qual foi a taxa de inflação de 2002? E a de 2005?

No governo do PSDB, com FHC no ano de 2002 foi de 12,5%. Já no
governo do PT, com Lula a taxa caiu para 5,7% em 2005.

2) Qual o valor da dívida externa no final de 2002? E no final
de 2005?

2002 = US$ 210 bilhões, um absurdo, pois crescia todos os meses.
Agora em 2005 = US$ 165 bilhões - finalmente a dívida externa
começa a cair...

3) Qual a inflação acumulada em 3 anos de governo Lula?

23% - É uma média baixíssima, que está estável, com tendências a
baixar mais ainda. Não se via uma inflação tão baixa no Brasil á
décadas.

4) Qual o percentual de reajuste do Salário Mínimo no governo
Lula?

50% - Outros governos não passaram nem perto deste número,
mostrando que o interesse não era no povo como um todo e sim
apenas os ricos mereciam aumentos decentes... Ainda temos muito
que melhorar, mas devagar iremos vencer mais essa batalha.

5) Qual era o valor em dólares do Salário Mínimo quando Lula
tomou posse? Qual o valor hoje?

Posse = US$ 56,50
Hoje = US$ 128,20 - Um aumento significativo, que é apenas o
começo, pois Lula vai aumentar ainda mais o salário mínimo...

6) Qual era a relação dívida/PIB do Brasil no final de 2002?
Qual é essa relação hoje?

2002 = 57,5%
2005 = 51% - Vai cair ainda mais até o fim de 2006...

7) Qual era a taxa Selic quando Lula tomou posse? E qual a taxa
atualmente?

Posse = 25%
Hoje = 18%

8) Qual o valor das exportações brasileiras em 2002? E em 2005?

2002 = US$ 60 bilhões
2005 = US$ 118 bilhões (recorde)

9) Qual foi o superávit comercial do Brasil em 8 anos de governo
FHC? E em 3 anos de governo Lula?

Governo FHC / PSDB = déficit comercial de US$ 8,7 bilhões

(não teve superávit nos 8 anos de FHC... Aqui foi uma
"pegadinha" para os tucanos se sentirem piores ainda, pois não
sabem mesmo administrar o país)

Governo Lula / PT = superávit comercial de US$ 103 bilhões

10) Qual era a taxa de desemprego brasileira em novembro de
2002? E em novembro de 2005?

Novembro / 2002 = 12,2%

Novembro / 2005 = 9,6% - O número de desempregados continua á
cair todos os meses, provando que o Brasil está crescendo e em
breve se consolidará como líder dos emergentes e daqui alguns
anos, se continuarmos assim, com Lula como presidente, o Brasil
se tornará um país de 1º Mundo...

Relatório do Fundo Monetário Internacional atestando que o
Brasil sob o governo do Partido dos Trabalhadores é o melhor da
História do Brasil:
http://www.imf.org/external/np/sec/pn/2005/pn05166.htm



É por essas e outras que nosso grito vai ser o mesmo neste
ano...



Em 2006 é LULA outra vez!!!
1/7/2006

Governo Lula

Realizações do Governo Federal

 

 

Atendimento Integral à Família
O Programa de Atendimento Integral à Família (PAIF) pôs em funcionamento 1.006 Centros de Referência da Assistência Social - CRAS (Casas de Família), atendendo 256 mil famílias em 650 municípios - 1,28 milhão de cidadãos, mediante investimento de R$ 49,4 milhões.

 

Benefício de Prestação Continuada
O Programa Benefício de Prestação Continuada (Idosos e Pessoas com Deficiência) atendeu 1,7 milhão de pessoas em 2003 e 2 milhões em 2004. Até maio deste ano, já foram atendidas 2,1 milhões. Até dezembro a meta é de que o total de beneficiados chegue a 2,7 milhões. O programa é conseqüência da aprovação do Estatuto do Idoso no atual governo. São beneficiadas, pessoas com mais de 65 anos.

 

Combate à Informalidade
Durante ações de fiscalização, mais de 1,5 milhão de trabalhadores tiveram a Carteira de Trabalho registrada. Entre eles, 322 mil na área rural. A ação governamental, desta forma, garante ao cidadão direitos trabalhistas e previdenciários, aumentando a sua renda, com o pagamento do 13º salário, férias, repouso semanal, depósito do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e a contribuição previdenciária.

 

Qualificação e Segurança da Renda
Desde janeiro de 2003, 279,1 mil trabalhadores brasileiros foram qualificados em cursos que aumentaram a carga horária de 62 para 193 horas. Entre janeiro de 2003 e maio de 2005, 2,1 milhões de trabalhadores conseguiram emprego formal, através do Sistema Nacional de Emprego (SINE). No mesmo período, 12,1 milhões receberam o seguro desemprego. Só em 2005, 2,3 milhões de trabalhadores foram segurados.

 

Combate ao Abuso Sexual Contra Crianças
Desde que foi criada, em maio de 2003, a ação Linha Direta: Denúncias de Abuso Sexual contra Crianças registrou mais de 10 mil denúncias que foram encaminhadas às autoridades competentes. O objetivo principal é defender o direito de todas as crianças e adolescentes a um desenvolvimento sexual saudável e protegido.

 

Proteção a Vítimas e Testemunhas
Para combater a impunidade, salvaguardar vidas e promover os direitos humanos, o Programa de Assistência a Vítimas e Testemunhas Ameaçadas permitiu que nos últimos 30 meses mais de 800 pessoas fossem protegidas. Assim, desde que foi criado, duas mil pessoas foram assistidas. O programa é considerado da maior importância para o Estado de Direito. Através dele, o governo garante a segurança do cidadão, que ajuda a Justiça a cumprir o seu papel e acabar com a impunidade.

 


Amigo da Criança

O Plano Presidente Amigo da Criança e do Adolescente, implantado pelo Governo Federal, tem cerca de 200 ações direcionadas à infância e à juventude e engloba quatro metas: promoção da vida saudável; promoção de educação de qualidade; proteção contra abuso, exploração e violência e combate ao HIV/AIDS.

 

Cultura
No ano de 2004, o governo selecionou 247 pontos de cultura em todo o país, o que beneficiou 1,7 milhão de pessoas em situação de pobreza ou vulnerabilidade social. Do início da implantação do programa até junho de 2005, 202 convênios foram publicados ou estão em processo de publicação, dentro do chamado Programa Cultura Viva, que objetiva estimular a produção cultural e o acesso à cultura, pela inclusão social. Atualmente 200 Pontos, dos 262 escolhidos no primeiro edital, já operam em uma vasta rede por todo o território nacional.

 

Educação
O governo trabalha com a convicção de que os gastos com a educação são investimentos e não custo, motivo pelo qual estão sendo aplicados mais recursos em todos os níveis de ensino - da educação infantil à pós-graduação visando à melhoria da qualidade do ensino. O MEC obteve R$ 3,4 bilhões a mais em relação ao orçamento de 2004, que passou de R$ 17,3 bilhões para R$ 20,7 bilhões em 2005.

Políticas Afirmativas

 

Quilombolas
Até junho de 2005, a Fundação Cultural Palmares certificou o auto-reconhecimento de 142 comunidades como remanescentes de quilombos (povoação formada originariamente de escravos fugidos), totalizando 396 certificados expedidos. Além disso, estão sendo atendidas 42 comunidades quilombolas com serviços de abastecimento de água, melhorias sanitárias, e instalação de energia elétrica em 26 comunidades.

 

Povos indígenas
Em 30 meses, o atual governo promoveu atos homologatórios de 54 terras indígenas, abrangendo uma área de 9,17 milhões de hectares. De um modo geral, foram beneficiadas 114.651 índios, com obras de abastecimento de água e soluções de esgotamento sanitário em 784 aldeias. Foram promovidos, ainda, 332.222 atendimentos médicos e 3.811.845 atendimentos de enfermagem.

 

Mulheres
O governo trabalha efetivamente na área de políticas afirmativas para as mulheres. A começar pela área legislativa, onde foi encaminhado ao Congresso Nacional o projeto de lei (nº 4559/2004) que pune a violência doméstica contra a mulher. Também foram viabilizadas ações no apoio técnico e financeiro para ampliação e fortalecimento dos Centros de Referência de Atendimento à Mulher em Situação de Violência, Delegacias Especializadas em Atendimento à Mulher (Deams), Defensorias Públicas de atendimento à Mulher e Casas Abrigos.



Esportes

No Ministério do Esporte, o governo trabalha para dar eficiência a ações de inclusão social que garantam o acesso gratuito à prática esportiva, qualidade de vida e desenvolvimento humano. Há muitos exemplos no atual governo, como o atendimento a 971.098 crianças e adolescentes matriculados na rede pública de educação fundamental e média, em 4.130 núcleos desportivos de 780 municípios no Programa Segundo Tempo.

 

Previdência
O governo está conseguindo fazer no Brasil uma Previdência Social sustentável.
A eficiência no aumento da arrecadação e da fiscalização são pontos fundamentais nesta tarefa. Os dados objetivos e claros são evidentes: entre 1998 e 2005 o valor real médio do benefício previdenciário aumentou 17,5. Este último ano. marca o maior valor real médio dos benefícios emitidos pela Previdência Social desde o início dos anos 90. Além disso, a arrecadação líquida de 2004 foi recorde - R$ 94,1 bilhões, contra R$ 80,2 bilhões em 2003, representando acréscimo de 14,77%. Até junho deste ano, atingiu-se R$ 49 bilhões, um acréscimo de 15,4% em relação ao mesmo período de 2004.



Saúde

Nos últimos 30 meses, a decisão política do Governo Federal de optar por mais recursos, melhor, fez com que a saúde pública no Brasil promovesse mudanças evidentes, como o setor nacional de transplantes, que conseguiu, de janeiro de 2003, a maio de 2005, realizar 33.189 transplantes de órgãos e tecidos - dos quais 70% financiados pelo Sistema Único de Saúde. Nessa linha de ação que chega diretamente à população, houve a implantação de 94 Serviços de atendimento Móvel de Urgência (SAMU), envolvendo 606 municípios, com 901 ambulâncias distribuídas e cobertura populacional de mais de 82 milhões de pessoas. De janeiro de 2003 a maio de 2005 foram criados 2.260 novos leitos em Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs).

 

 

11/4/2005

O Brasil não esquecerá os 45 escandalos da ERA FHC

1 - Conivência com a corrupção

O governo do PSDB tem sido conivente com a corrupção. Um dos primeiros gestos de FHC ao assumir a Presidência, em 1995, foi extinguir, por decreto, a Comissão Especial de Investigação, instituída no governo Itamar Franco e composta por representantes da sociedade civil, que tinha como objetivo combater a corrupção. Em 2001, para impedir a instalação da CPI da Corrupção, FHC criou a Controladoria-Geral da União, órgão que se especializou em abafar denúncias.

2 - O escândalo do Sivam

O contrato para execução do projeto Sivam foi marcado por escândalos. A empresa Esca, associada à norte-americana Raytheon, e responsável pelo gerenciamento do projeto, foi extinta por fraudes contra a Previdência. Denúncias de tráfico de influência derrubaram o embaixador Júlio César dos Santos e o ministro da Aeronáutica, Brigadeiro Mauro Gandra.

3 - A farra do Proer

O Proer demonstrou, já em 1996, como seriam as relações do governo FHC com o sistema financeiro. Para FHC, o custo do programa ao Tesouro Nacional foi de 1% do PIB. Para os ex-presidentes do BC, Gustavo Loyola e Gustavo Franco, atingiu 3% do PIB. Mas para economistas da Cepal, os gastos chegaram a 12,3% do PIB, ou R$ 111,3 bilhões, incluindo a recapitalização do Banco do Brasil, da CEF e o socorro aos bancos estaduais.

4 - Caixa-dois de campanhas

As campanhas de FHC em 1994 e em 1998 teriam se beneficiado de um esquema de caixa-dois. Em 1994, pelo menos R$ 5 milhões não apareceram na prestação de contas entregue ao TSE. Em 1998, teriam passado pela contabilidade paralela R$ 10,1 milhões.

5 - Propina na privatização

A privatização do sistema Telebrás e da Vale do Rio Doce foi marcada pela suspeição. Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-caixa de campanha de FHC e do senador José Serra e ex-diretor da Área Internacional do Banco do Brasil, é acusado de pedir propina de R$ 15 milhões para obter apoio dos fundos de pensão ao consórcio do empresário Benjamin Steinbruch, que levou a Vale, e de ter cobrado R$ 90 milhões para ajudar na montagem do consórcio Telemar.

6 - A emenda da reeleição

O instituto da reeleição foi obtido por FHC a preços altos. Gravações revelaram que os deputados Ronivon Santiago e João Maia, do PFL do Acre, ganharam R$ 200 mil para votar a favor do projeto. Os deputados foram expulsos do partido e renunciaram aos mandatos. Outros três deputados acusados de vender o voto, Chicão Brígido, Osmir Lima e Zila Bezerra, foram absolvidos pelo plenário da Câmara.

7 - Grampos telefônicos

Conversas gravadas de forma ilegal foram um capítulo à parte no governo FHC. Durante a privatização do sistema Telebrás, grampos no BNDES flagraram conversas de Luiz Carlos Mendonça de Barros, então ministro das Comunicações, e André Lara Resende, então presidente do BNDES, articulando o apoio da Previ para beneficiar o consórcio do banco Opportunity, que tinha como um dos donos o economista Pérsio Arida, amigo de Mendonça de Barros e de Lara Resende. Até FHC entrou na história, autorizando o uso de seu nome para pressionar o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil.

8 - TRT paulista

A construção da sede do TRT paulista representou um desvio de R$ 169 milhões aos cofres públicos. A CPI do Judiciário contribuiu para levar o juiz Nicolau dos Santos Neto, ex-presidente do Tribunal, para a cadeia e para cassar o mandato do Senador Luiz Estevão (PMDB-DF), dois dos principais envolvidos no caso.

9 - Os ralos do DNER

O DNER foi o principal foco de corrupção no governo de FHC. Seu último avanço em matéria de tecnologia da propina atende pelo nome de precatórios. A manobra consiste em furar a fila para o pagamento desses títulos. Estima-se que os beneficiados pela fraude pagavam 25% do valor dos precatórios para a quadrilha que comandava o esquema. O órgão acabou sendo extinto pelo governo.

10 - O "caladão"

O Brasil calou no início de julho de 1999 quando o governo FHC implementou o novo sistema de Discagem Direta a Distância (DDD). Uma pane geral deixou os telefones mudos. As empresas que provocaram o caos no sistema haviam sido recém-privatizadas. O "caladão" provocou prejuízo aos consumidores, às empresas e ao próprio governo. Ficou tudo por isso mesmo.

11 - Desvalorização do real

FHC se reelegeu em 1998 com um discurso que pregava "ou eu ou o caos". Segurou a quase paridade entre o real e o dólar até passar o pleito. Vencida a eleição, teve de desvalorizar a moeda. Há indícios de vazamento de informações do Banco Central. O deputado Aloizio Mercadante, do PT, divulgou lista com o nome dos 24 bancos que lucraram muito com a mudança cambial e outros quatro que registraram movimentação especulativa suspeita às vésperas do anúncio das medidas.

12 - O caso Marka/FonteCindam

Durante a desvalorização do real, os bancos Marka e FonteCindam foram socorridos pelo Banco Central com R$ 1,6 bilhão. O pretexto é que a quebra desses bancos criaria risco sistêmico para a economia. Chico Lopes, ex-presidente do BC, e Salvatore Cacciola, ex-dono do Banco Marka, estiveram presos, ainda que por um pequeno lapso de tempo. Cacciola retornou à sua Itália natal, onde vive tranqüilo.

13 - Base de Alcântara

O governo FHC enfrenta resistências para aprovar o acordo de cooperação internacional que permite aos Estados Unidos usarem a Base de Lançamentos Espaciais de Alcântara (MA). Os termos do acordo são lesivos aos interesses nacionais. Exemplos: áreas de depósitos de material americano serão interditadas a autoridades brasileiras. O acesso brasileiro a novas tecnologias fica bloqueado e o acordo determina ainda com que países o Brasil pode se relacionar nessa área. Diante disso, o PT apresentou emendas ao tratado – todas acatadas na Comissão de Relações Exteriores da Câmara.

14 - Biopirataria oficial

Antigamente, os exploradores levavam nosso ouro e pedras preciosas. Hoje, levam nosso patrimônio genético. O governo FHC teve de rever o contrato escandaloso assinado entre a Bioamazônia e a Novartis, que possibilitaria a coleta e transferência de 10 mil microorganismos diferentes e o envio de cepas para o exterior, por 4 milhões de dólares. Sem direito ao recebimento de royalties. Como um único fungo pode render bilhões de dólares aos laboratórios farmacêuticos, o contrato não fazia sentido. Apenas oficializava a biopirataria.

15 - O fiasco dos 500 anos

As festividades dos 500 anos de descobrimento do Brasil, sob coordenação do ex-ministro do Esporte e Turismo, Rafael Greca (PFL-PR), se transformaram num fiasco monumental. Índios e sem-terra apanharam da polícia quando tentaram entrar em Porto Seguro (BA), palco das comemorações. O filho do presidente, Paulo Henrique Cardoso, é um dos denunciados pelo Ministério Público de participação no episódio de superfaturamento da construção do estande brasileiro na Feira de Hannover, em 2000.

16 - Eduardo Jorge, um personagem suspeito

Eduardo Jorge Caldas, ex-secretário-geral da Presidência, é um dos personagens mais sombrios que freqüentou o Palácio do Planalto na era FHC. Suspeita-se que ele tenha se envolvido no esquema de liberação de verbas para o TRT paulista e em superfaturamento no Serpro, de montar o caixa-dois para a reeleição de FHC, de ter feito lobby para empresas de informática, e de manipular recursos dos fundos de pensão nas privatizações. Também teria tentado impedir a falência da Encol.

17 - Drible na reforma tributária

O PT participou de um acordo, do qual faziam parte todas as bancadas com representação no Congresso Nacional, em torno de uma reforma tributária destinada a tornar o sistema mais justo, progressivo e simples. A bancada petista apoiou o substitutivo do relator do projeto na Comissão Especial de Reforma Tributária, deputado Mussa Demes (PFL-PI). Mas o ministro da Fazenda, Pedro Malan, e o Palácio do Planalto impediram a tramitação.

18 - Rombo transamazônico na Sudam

O rombo causado pelo festival de fraudes transamazônicas na Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia, a Sudam, no período de 1994 a 1999, ultrapassa R$ 2 bilhões. As denúncias de desvios de recursos na Sudam levaram o ex-presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA) a renunciar ao mandato. Ao invés de acabar com a corrupção que imperava na Sudam e colocar os culpados na cadeia, o presidente Fernando Henrique Cardoso resolveu extinguir o órgão. O PT ajuizou ação de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal contra a providência do governo.

19 - Os desvios na Sudene

Foram apurados desvios de R$ 1,4 bilhão em 653 projetos da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste, a Sudene. A fraude consistia na emissão de notas fiscais frias para a comprovação de que os recursos recebidos do Fundo de Investimentos do Nordeste (Finor) foram aplicados. Como no caso da Sudam, FHC decidiu extinguir o órgão. O PT também questionou a decisão no Supremo Tribunal Federal.

20 - Calote no Fundef

O governo FHC desrespeita a lei que criou o Fundef. Em 2002, o valor mínimo deveria ser de R$ 655,08 por aluno/ano de 1ª a 4ª séries e de R$ 688,67 por aluno/ano da 5ª a 8ª séries do ensino fundamental e da educação especial. Mas os valores estabelecidos ficaram abaixo: R$ 418,00 e R$ 438,90, respectivamente. O calote aos estados mais pobres soma R$ 11,1 bilhões desde 1998.

21 - Abuso de MPs

Enquanto senador, FHC combatia com veemência o abuso nas edições e reedições de Medidas Provisórias por parte José Sarney e Fernando Collor. Os dois juntos editaram e reeditaram 298 MPs. Como presidente, FHC cedeu à tentação autoritária. Editou e reeditou, em seus dois mandatos, 5.491medidas. O PT participou ativamente das negociações que resultaram na aprovação de emenda constitucional que limita o uso de MPs.

22 - Acidentes na Petrobras

Por problemas de gestão e falta de investimentos, a Petrobras protagonizou uma série de acidentes ambientais no governo FHC que viraram notícia no Brasil e no mundo. A estatal foi responsável pelos maiores desastres ambientais ocorridos no País nos últimos anos. Provocou, entre outros, um grande vazamento de óleo na Baía de Guanabara, no Rio, outro no Rio Iguaçu, no Paraná. Uma das maiores plataformas da empresa, a P-36, afundou na Bacia de Campos, causando a morte de 11 trabalhadores. A Petrobras também ganhou manchetes com os acidentes de trabalho em suas plataformas e refinarias que ceifaram a vida de centenas de empregados.

23 - Apoio a Fujimori

O presidente FHC apoiou o terceiro mandato consecutivo do corrupto ditador peruano Alberto Fujimori, um sujeito que nunca deu valor à democracia e que fugiu do País para não viver os restos de seus dias na cadeia. Não bastasse isso, concedeu a Fujimori a medalha da Ordem do Cruzeiro do Sul, o principal título honorário brasileiro. O Senado, numa atitude correta, acatou sugestão apresentada pelo senador Roberto Requião (PMDB-PR) e cassou a homenagem.

24 - Desmatamento na Amazônia

Por meio de decretos e medidas provisórias, o governo FHC desmontou a legislação ambiental existente no País. As mudanças na legislação ambiental debilitaram a proteção às florestas e ao cerrado e fizeram crescer o desmatamento e a exploração descontrolada de madeiras na Amazônia. Houve aumento dos focos de queimadas. A Lei de Crimes Ambientais foi modificada para pior.

25 – Os computadores do FUST

A idéia de equipar todas as escolas públicas de ensino médio com 290 mil computadores se transformou numa grande negociata. Os recursos para a compra viriam do Fundo de Universalização das Telecomunicações, o Fust. Mas o governo ignorou a Lei de Licitações, a 8.666. Além disso, fez megacontrato com a Microsoft, que teria, com o Windows, o monopólio do sistema operacional das máquinas, quando há softwares que poderiam ser usados gratuitamente. A Justiça e o Tribunal de Contas da União suspenderam o edital de compra e a negociata está suspensa.

26 - Arapongagem

O governo FHC montou uma verdadeira rede de espionagem para vasculhar a vida de seus adversários e monitorar os passos dos movimentos sociais. Essa máquina de destruir reputações é constituída por ex-agentes do antigo SNI ou por empresas de fachada. Os arapongas tucanos sabiam da invasão dos sem-terra à propriedade do presidente em Buritis, em março deste ano, e o governo nada fez para evitar a operação. Eles foram responsáveis também pela espionagem contra Roseana Sarney.

27 - O esquema do FAT

A Fundação Teotônio Vilela, presidida pelo ex-presidente do PSDB, senador alagoano Teotônio Vilela, e que tinha como conselheiro o presidente FHC, foi acusada de envolvimento em desvios de R$ 4,5 milhões do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Descobriu-se que boa parte do dinheiro, que deveria ser usado para treinamento de 54 mil trabalhadores do Distrito Federal, sumiu. As fraudes no financiamento de programas de formação profissional ocorreram em 17 unidades da federação e estão sob investigação do Tribunal de Contas da União (TCU) e do Ministério Público.

28 - Mudanças na CLT

A maioria governista na Câmara dos Deputados aprovou, contra o voto da bancada do PT, projeto que flexibiliza a CLT, ameaçando direitos consagrados dos trabalhadores, como férias, décimo terceiro e licença maternidade. O projeto esvazia o poder de negociação dos sindicatos. No Senado, o governo FHC não teve forças para levar adiante essa medida anti-social.

29 - Obras irregulares

Um levantamento do Tribunal de Contas da União, feito em 2001, indicou a existência de 121 obras federais com indícios de irregularidades graves. A maioria dessas obras pertence a órgãos como o extinto DNER, os ministérios da Integração Nacional e dos Transportes e o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas. Uma dessas obras, a hidrelétrica de Serra da Mesa, interior de Goiás, deveria ter custado 1,3 bilhão de dólares. Consumiu o dobro.

30 - Explosão da dívida pública

Quando FHC assumiu a Presidência da República, em janeiro de 1995, a dívida pública interna e externa somava R$ 153,4 bilhões. Entretanto, a política de juros altos de seu governo, que pratica as maiores taxas do planeta, elevou essa dívida para R$ 684,6 bilhões em abril de 2002, um aumento de 346%. Hoje, a dívida já equivale a preocupantes 54,5% do PIB.

31 - Avanço da dengue

A omissão do Ministério da Saúde é apontada como principal causa da epidemia de dengue no Rio de Janeiro. O ex-ministro José Serra demitiu seis mil mata-mosquitos contratados para eliminar focos do mosquito Aedes Aegypti. Em 2001, o Ministério da Saúde gastou R$ 81,3 milhões em propaganda e apenas R$ 3 milhões em campanhas educativas de combate à dengue. Resultado: de janeiro a maio de 2002, só o estado do Rio registrou 207.521 casos de dengue, levando 63 pessoas à morte.

32 – Verbas do BNDES

Além de vender o patrimônio público a preço de banana, o governo FHC, por meio do BNDES, destinou cerca de R$ 10 bilhões para socorrer empresas que assumiram o controle de ex-estatais privatizadas. Quem mais levou dinheiro do banco público que deveria financiar o desenvolvimento econômico e social do Brasil foram as teles e as empresas de distribuição, geração e transmissão de energia. Em uma das diversas operações, o BNDES injetou R$ 686,8 milhões na Telemar, assumindo 25% do controle acionário da empresa.

33 - Crescimento pífio do PIB

Na "Era FHC", a média anual de crescimento da economia brasileira estacionou em pífios 2%, incapaz de gerar os empregos que o País necessita e de impulsionar o setor produtivo. Um dos fatores responsáveis por essa quase estagnação é o elevado déficit em conta-corrente, de 23 bilhões de dólares no acumulado dos últimos 12 meses. Ou seja: devido ao baixo nível da poupança interna, para investir em seu desenvolvimento, o Brasil se tornou extremamente dependente de recursos externos, pelos quais paga cada vez mais caro.

34 – Renúncias no Senado

A disputa política entre o Senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) e o Senador Jader Barbalho (PMDB-PA), em torno da presidência do Senado expôs publicamente as divergências da base de sustentação do governo. ACM renunciou ao mandato, sob a acusação de violar o painel eletrônico do Senado na votação que cassou o mandato do senador Luiz Estevão (PMDB-DF). Levou consigo seu cúmplice, o líder do governo, senador José Roberto Arruda (PSDB-DF). Jader Barbalho se elegeu presidente do Senado, com apoio ostensivo de José Serra e do PSDB, mas também acabou por renunciar ao mandato, para evitar a cassação. Pesavam contra ele denúncias de desvio de verbas da Sudam.

35 - Racionamento de energia

A imprevidência do governo FHC e das empresas do setor elétrico gerou o apagão. O povo se mobilizou para abreviar o racionamento de energia. Mesmo assim foi punido. Para compensar supostos prejuízos das empresas, o governo baixou Medida Provisória transferindo a conta do racionamento aos consumidores, que são obrigados a pagar duas novas tarifas em sua conta de luz. O pacote de ajuda às empresas soma R$ 22,5 bilhões.

36 - Assalto ao bolso do consumidor

FHC quer que o seu governo seja lembrado como aquele que deu proteção social ao povo brasileiro. Mas seu governo permitiu a elevação das tarifas públicas bem acima da inflação. Desde o início do plano real até agora, o preço das tarifas telefônicas foi reajustado acima de 580%. Os planos de saúde subiram 460%, o gás de cozinha 390%, os combustíveis 165%, a conta de luz 170% e a tarifa de água 135%. Neste período, a inflação acumulada ficou em 80%.

37 – Explosão da violência

O Brasil é um país cada vez mais violento. E as vítimas, na maioria dos casos, são os jovens. Na última década, o número de assassinatos de jovens de 15 a 24 anos subiu 48%. A Unesco coloca o País em terceiro lugar no ranking dos mais violentos, entre 60 nações pesquisadas. A taxa de homicídios por 100 mil habitantes, na população geral, cresceu 29%. Cerca de 45 mil pessoas são assassinadas anualmente. FHC pouco ou nada fez para dar mais segurança aos brasileiros.

38 – A falácia da Reforma agrária

O governo FHC apresentou ao Brasil e ao mundo números mentirosos sobre a reforma agrária. Na propaganda oficial, espalhou ter assentado 600 mil famílias durante oito anos de reinado. Os números estavam inflados. O governo considerou assentadas famílias que haviam apenas sido inscritas no programa. Alguns assentamentos só existiam no papel. Em vez de reparar a fraude, baixou decreto para oficializar o engodo.

39 - Subserviência internacional

A timidez marcou a política de comércio exterior do governo FHC. Num gesto unilateral, os Estados Unidos sobretaxaram o aço brasileiro. O governo do PSDB foi acanhado nos protestos e hesitou em recorrer à OMC. Por iniciativa do PT, a Câmara aprovou moção de repúdio às barreiras protecionistas. A subserviência é tanta que em visita aos EUA, no início deste ano, o ministro Celso Lafer foi obrigado a tirar os sapatos três vezes e se submeter a revistas feitas por seguranças de aeroportos.

40 – Renda em queda e desemprego em alta

Para o emprego e a renda do trabalhador, a Era FHC pode ser considerada perdida. O governo tucano fez o desemprego bater recordes no País. Na região metropolitana de São Paulo, o índice de desemprego chegou a 20,4% em abril, o que significa que 1,9 milhão de pessoas estão sem trabalhar. O governo FHC promoveu a precarização das condições de trabalho. O rendimento médio dos trabalhadores encolheu nos últimos três anos.

41 - Relações perigosas

Diga-me com quem andas e te direi quem és. Esse ditado revela um pouco as relações suspeitas do presidenciável tucano José Serra com três figuras que estiveram na berlinda nos últimos dias. O economista Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-caixa de campanha de Serra e de FHC, é acusado de exercer tráfico de influência quando era diretor do Banco do Brasil e de ter cobrado propina no processo de privatização. Ricardo Sérgio teria ajudado o empresário espanhol Gregório Marin Preciado a obter perdão de uma dívida de R$ 73 milhões junto ao Banco do Brasil. Preciado, casado com uma prima de Serra, foi doador de recursos para a campanha do senador paulista. Outra ligação perigosa é com Vladimir Antonio Rioli, ex-vice-presidente de operações do Banespa e ex-sócio de Serra em empresa de consultoria. Ele teria facilitado uma operação irregular realizada por Ricardo Sérgio para repatriar US$ 3 milhões depositados em bancos nas Ilhas Cayman - paraíso fiscal do Caribe.

42 – Violação aos direitos humanos

Massacres como o de Eldorado do Carajás, no sul do Pará, onde 19 sem-terra foram assassinados pela polícia militar do governo do PSDB em 1996, figuram nos relatórios da Anistia Internacional, que recentemente denunciou o governo FHC de violação aos direitos humanos. A Anistia critica a impunidade e denuncia que polícias e esquadrões da morte vinculados a forças de segurança cometeram numerosos homicídios de civis, inclusive crianças, durante o ano de 2001. A entidade afirma ainda que as práticas generalizadas e sistemáticas de tortura e maus-tratos prevalecem nas prisões.

43 – Correção da tabela do IR

Com fome de leão, o governo congelou por seis anos a tabela do Imposto de Renda. O congelamento aumentou a base de arrecadação do imposto, pois com a inflação acumulada, mesmo os que estavam isentos e não tiveram ganhos salariais, passaram a ser taxados. FHC só corrigiu a tabela em 17,5% depois de muita pressão da opinião pública e após aprovação de projeto pelo Congresso Nacional. Mesmo assim, após vetar o projeto e editar uma Medida Provisória que incorporava parte do que fora aprovado pelo Congresso, aproveitou a oportunidade e aumentou alíquotas de outros tributos.

44 – Intervenção na Previ

FHC aproveitou o dia de estréia do Brasil na Copa do Mundo de 2002 para decretar intervenção na Previ, o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, com patrimônio de R$ 38 bilhões e participação em dezenas de empresas. Com este gesto, afastou seis diretores, inclusive os três eleitos democraticamente pelos funcionários do BB. O ato truculento ocorreu a pedido do banqueiro Daniel Dantas, dono do Opportunitty. Dias antes da intervenção, FHC recebeu Dantas no Palácio Alvorada. O banqueiro, que ameaçou divulgar dossiês comprometedores sobre o processo de privatização, trava queda-de-braço com a Previ para continuar dando as cartas na Brasil Telecom e outras empresas nas quais são sócios.

45 – Barbeiragens do Banco Central

O Banco Central – e não o crescimento de Lula nas pesquisas – tem sido o principal causador de turbulências no mercado financeiro. Ao antecipar de setembro para junho o ajuste nas regras dos fundos de investimento, que perderam R$ 2 bilhões, o BC deixou o mercado em polvorosa. Outro fator de instabilidade foi a decisão de rolar parte da dívida pública estimulando a venda de títulos LFTs de curto prazo e a compra desses mesmos papéis de longo prazo. Isto fez subir de R$ 17,2 bilhões para R$ 30,4 bilhões a concentração de vencimentos da dívida nos primeiros meses de 2003. O dólar e o risco Brasil dispararam. Combinado com os especuladores e o comando da campanha de José Serra, Armínio Fraga não vacilou em jogar a culpa no PT e nas eleições.
 

Por que a Veja mente, mente, mente, desesperadamente?

Veja é a pior revista do Brasil. Não é um título fácil de obter, porque ela tem duros competidores –Isto É, Época, Caras, Isto é Dinheiro, Quem? etc. etc. Mas Veja se esmera na arte da vulgaridade, da mentira, do sensacionalismo, no clima de “guerra fria”, em que a revista defende as cores do bushismo no Brasil. A revista, propriedade privada da família Civita, merece o galardão.

Todo país tem esse tipo de publicação extremista, que defende hoje prioritariamente os ideais dos novos conservadores estadunidenses. Herdam os ideais da guerra fria, se especializam em atacar a esquerda, reproduzem as mesmas matérias internacionais e as bobagens supostamente científicas sobre medicamentos, tratamentos de pele, de problemas psicológicos, de educação, para tentar passar por uma revista que atende a necessidades da família.

Seus colunistas são o melhor exemplo da vulgaridade e da falsa cultura na imprensa brasileira. Uma lista de propagandistas do bushismo, escolhidos seletivamente, reunindo a escritores fracassados, a ex-jornalistas aposentados, a autores de auto-ajuda, a profissionais mercantis da educação, misturando-se e mesclando esses temas em cada uma das colunas e nos editoriais do dono da revista. Uma equipe editorial de nomes desconhecidos cumpre a função de “cães de guarda” dos interesses dos ricos e poderosos – que, em troca, anunciam amplamente na revista – de plantão.

O MST, o PT, a CUT, os intelectuais críticos - são seus alvos prioritários no Brasil. Para isso tem que desqualificar o socialismo, Cuba, a Venezuela, assim como tudo o que desminta o Consenso de Washington, do qual é o Diário Oficial no Brasil.

Só podem fazer isso mentindo. Mentindo sobre o trabalho do MST com os trabalhadores do campo, nas centenas de assentamentos que acolhem a centenas de milhares de pessoas, famílias que viveram secularmente marginalizadas no Brasil. Têm que esconder o funcionamento do sistema escolar nacional que o MST organizou, responsável, entre outras tantas façanhas, de ter feito mais pela alfabetização no Brasil do que todos os programas governamentais. A Veja não sabe o que é agricultura familiar, com sua mentalidade empresarial se soma ao agronegócio, aos transgênicos e à agricultura de exportação. Ao desconhecer tanta coisa, a Veja tem que mentir para esconder tudo isso dos leitores, passando uma imagem bushiana do MST.

Mentem sobre Cuba, porque escondem que nesse país se produziu a melhor saúde pública do mundo, que ali não há analfabetos – funcionais ou não -, que por lá todos tem acesso – além de saúde, educação, casa própria, a cultura, esporte, lazer. Que o IDH de Cuba é bastante superior ao brasileiro.

A Veja tem que mentir sobre a Venezuela, país em que se promove a prioridade do social, com ¼ dos recursos obtidos com o petróleo irrigando os programas sociais. Que o governo de Hugo Chávez triunfou sobre a mídia privada golpista – as Vejas de lá -, pelo apoio popular que granjeou, quando a Veja, defasada – como sempre – já noticiava na sua capa a queda de Chávez. Depois o governo venezuelano derrotou a oposição em referendo previsto na Constituição daquele país, em que os eleitores, no meio do mandato, se pronunciam sobre a continuidade ou não do governo, em um sistema mais democrático que em qualquer outro lugar do mundo.

A Veja mente sobre os efeitos da globalização neoliberal, que concentrou renda como nunca na história da humanidade, que canaliza recursos do setor produtivo para o especulativo, que cassa os direitos básicos da grande maioria da população, que não retomou o crescimento econômico, como havia prometido.

A Veja mente quando anunciou a morte do PT, no mesmo momento em que mais de 300 mil membros do partido, demonstrando vigor inigualável em qualquer outro partido, foram às urnas escolher, por eleição direta, seus novos dirigentes, apesar da ruidosa e sistemática campanha da mídia bushista brasileira.

A Veja mente para tentar demonstrar que a política externa brasileira é um fracasso, quando ninguém, dentre os comentaristas internacionais, daqui ou de fato, acha isso. Ao contrário, a formação do Grupo dos 20 na última reunião da OMC, o bloqueio ao inicio de funcionamento da ALCA – lamentado pela revista bushista.

A Veja mente, mente, mente, desesperadamente, porque suas verdades são mentiras, porque representa o conservadorismo, a discriminação, a mentalidade mercantil, a repressão, a violência, a falsa cultura, a vulgaridade – enfim, o que de pior o capitalismo brasileiro já produziu. Choca-se com o humanismo, a democracia, a socialização, os interesses públicos. Por isso, para “fabricar consensos” – conforme a expressão de Chomsky, a Veja mente, mente, mente, desesperadamente.

 

Emir Sader, professor da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), é coordenador do Laboratório de Políticas Públicas da Uerj e autor, entre outros, de “A vingança da História".

 

Pais socorrem escolas técnicas de Alckmin

Escolhidas pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) como uma de suas prioridades, as ETEs (escolas técnicas) são conhecidas por formar alunos que encontram emprego com facilidade ou que passam em vestibulares concorridos. Parte dessa qualidade, porém, é mantida com o dinheiro dos próprios estudantes.

A verba chega às escolas por meio de doações de alunos e de pais às APMs (associações de pais e mestres). Cada uma estipula o valor da contribuição. A Folha encontrou taxas que variam de R$ 50 a R$ 200 por semestre.

São essas associações que compram boa parte dos materiais de limpeza e de escritório dos colégios. Também renovam os equipamentos dos laboratórios.

A ETE Getúlio Vargas, no Ipiranga (zona sul de SP), é um exemplo. Para a compra de materiais de limpeza e de escritório, a escola precisa de R$ 20 mil por mês. Do governo estadual, por meio do Centro Paula Souza (autarquia que administra as ETEs), o colégio recebe R$ 4.000. O restante é bancado pela APM. Além disso, a associação paga 12 funcionários, cerca de 10% do total de servidores da escola, que possui cerca de 3.200 alunos.

Também foi com dinheiro de pais e de alunos que foram reformados e reequipados os laboratórios de informática e de química, que custaram cerca de R$ 50 mil.

A ETE São Paulo, na região central, tem situação parecida. Por meio da APM, o laboratório de informática ganhou dez computadores. Dos 27 funcionários, 7 são pagos pela associação --que mantém 3 dos 4 inspetores. O colégio possui 1.500 alunos.

Na ETE Conselheiro Antonio Prado, em Campinas (a 95 km de SP), a APM financia boa parte dos gastos com os reagentes químicos, produtos essenciais para os cursos da escola, especializada justamente na área.

Informações colhidas com a direção do colégio pelo sindicato dos funcionários apontam que são necessários R$ 25 mil, por semestre, para a aquisição desses produtos. O Centro Paula Souza envia R$ 4.000.

Contribuição necessária

Nos sites das ETEs, também está explícita a participação das APMs. Na página da ETE de São Bernardo (Grande ABC), a associação afirma que cobre "a grave lacuna que se verifica, sistematicamente, nos orçamentos anuais da escola". No site da associação de pais e mestres da ETE Albert Einstein (zona norte), a mensagem é explícita: "A contribuição para a APM não é obrigatória... é necessária".

Ao todo, o Estado possui 108 ETEs, em que 90 mil alunos cursam ou o ensino médio ou o técnico (profissionalizante).

Grande parte das contas das escolas é paga diretamente pelo Centro Paula Souza --como água, luz e a folha de pagamento de professores e da maioria dos funcionários. Na ETE Getúlio Vargas, por exemplo, o dinheiro da APM representa cerca de 5% dos gastos mensais, de R$ 650 mil.

Sem essa parcela, o nível de ensino não poderia ser mantido, diz o diretor Pedro Celestino. "Os gastos do dia-a-dia vêm da nossa APM", conta Celestino. "Sem ela, não teria como a escola funcionar desse modo. Estaríamos fritos."

Diretores, professores, estudantes e funcionários destacam a atuação das associações principalmente na renovação dos laboratórios (dinheiro que não faz parte dos gastos de manutenção).

"Ter equipamentos atualizados é essencial para manter o bom nível dos alunos, principalmente nos cursos técnicos", afirma o diretor da ETE São Paulo, Carlos Augusto de Maio. "As APMs são o carro-chefe da instituição."

Dados do Sigeo (sistema disponível aos deputados estaduais para acompanhar o quanto o governo gasta do Orçamento) apontam que a gestão Alckmin empenhou (liberou), até o último dia 18, a pouco mais de dois meses do final do ano, 29,3% da verba prevista para equipamentos e material permanente em 2005 e 0,2% para obras e instalações.

O Centro Paula Souza afirma que os percentuais estão baixos porque as licitações para esses serviços são complexas e ainda estão em curso. Além disso, a autarquia diz que a verba será empenhada até o final do ano e poderá ser gasta ao longo de 2006.

Fonte:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u17998.shtml


11/2/2005

Alckmin veta R$ 470 milhões a mais para a educação

 

São Paulo - O governador Geraldo Alckmin (PSDB) vetou o aumento de R$ 470 milhões para a educação do estado de São Paulo. A “canetada” de Alckmin anula as modificações propostas na votação feita na Assembléia Legislativa em 07 de julho sobre a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) para 2006, principalmente para o ensino superior e técnico. Antes do veto, as universidades estaduais receberiam um acréscimo de R$ 170 milhões em seu orçamento (de 9,57% do ICMS arrecadado anualmente para 10%). Já o Centro Paula Souza, que inclui as Fatecs (Faculdades de Tecnologia), receberia 1% do ICMS – quase R$ 160 milhões.

O veto sobre a LDO foi publicado quinta-feira (04) no Diário Oficial. A medida causou reações negativas na comunidade universitária, nos parlamentares de oposição e nos “independentes” (em grande parte vinculados ao PFL e PMDB). O deputado do PFL José Caldini Crespo considera “lamentável” o veto do governador tucano. “Alckmin prefere passar por gerente a ser um estadista”, afirma. Crespo é presidente da Comissão de Finanças da Assembléia. Segundo ele, um estudo dos técnicos da Casa comprova que o orçamento do Estado não ficaria comprometido com a aprovação das medidas vetadas.

Os estados são obrigados pela Constituição Federal a aplicarem, no mínimo, 25% da receita de seus impostos na educação. Por outro lado, o Estado de São Paulo está obrigado a investir, de acordo com o artigo 255 de sua própria Constituição, pelo menos 30% dos recursos de impostos e transferências constitucionais para manutenção do ensino público. Atualmente a educação recebe 30% dos recursos de impostos, o mais baixo valor estipulado pela Constituição Estadual. Caso a LDO fosse aprovada, esse valor passaria a 31%.

Para o deputado Crespo, os valores aprovados na LDO e vetados por Alckmin são tímidos com relação ao que a comunidade universitária pede. “O Fórum das Seis [que agrega sindicatos de funcionários e professores das universidades estaduais], por exemplo, cobra um repasse de 11% do ICMS para o ensino superior. As Fatecs precisam de 2,2% de verba do ICMS para atualizar equipamentos e pagar os salários defasados”, diz. Ainda segundo Crespo, o governo mente ao anunciar em propagandas que investe 33% do orçamento do estado em educação. “Se investe, por que não aprova a LDO? Porque dessa forma estaria apenas cumprindo a lei. A publicidade do governador tucano serve para anunciar que ele está fazendo mais do que a lei manda. Ou então não está investindo”.

Além de prejudicar materialmente as instituições de ensino, o veto atrapalha o planejamento financeiro das universidades públicas porque não define dotação orçamentária. A Assembléia tem um mês para derrubar o veto; caso contrário, o governo volta a se pronunciar sobre o assunto em dezembro, na véspera do início do ano em que a LDO passa a vigorar com o nome de Lei do Orçamento. Para a Adusp (Associação de Docentes da USP) o veto da LDO resultará no achatamento salarial dos servidores da universidade e na falta de recursos para a expansão dos cursos, além de problemas de infra-estrutura, manutenção de laboratórios e bibliotecas. “O número de alunos e atividades acadêmicas cresce a cada ano, mas não o corpo docente”, lamenta o vice-presidente da Adusp, João Zanetic. O problema não é novo. Zanetic cita a greve em 2002 como um caso em que estudantes pressionaram a reitoria para contratar mais docentes. “Desta vez até o Cruesp (órgão que reúne os reitores das três estaduais) está do nosso lado”, diz ele, que é professor de Física.

A preocupação se estende para o campus da USP Zona Leste, que até agora não tem biblioteca e não tem laboratórios de pesquisa. Para Zanetic, a reitoria cede às pressões do Executivo, que para ampliar a USP prejudica os estudantes e professores. “Os docentes da unidade Zona Leste não foram contratados com concurso público, mas sim com processo seletivo”, diz ele. Os gastos de manutenção dos prédios, salário dos professores, assistência estudantil e pesquisa são pagos pela universidade e o governo tucano arca apenas com a construção dos prédios.

De acordo com os deputados estaduais ligados à oposição ao governo, Alckmin também expande as unidades das Fatecs de acordo com interesses eleitorais. Uma das propostas da LDO vetadas vinculava a expansão de vagas no ensino superior e técnico ao repasse de verbas feito pelo governo. “Se o Executivo define a porcentagem dos recursos destinados às universidades, fere a autonomia universitária”, diz o líder do PT na Casa, Renato Simões. “O veto é escandaloso. É a primeira vez que acontece desde o governo Quércia, em 1989”.

Simões afirma que há três anos nenhum veto do governador é derrubado na Assembléia. “Vamos construir um grande movimento para que os valores adotados no projeto da LDO sejam restabelecidos”, diz. A primeira reunião entre os parlamentares e os setores sociais interessados na derrubada do veto acontece no dia 10. Simões considera que se os deputados mantiverem a fidelidade à votação de julho é possível mudar o veto. Já Crespo é cético. “Não há maioria para a base governista ou para a oposição. São necessários 48 votos. A Casa tem 18 deputados “independentes” e 25 de oposição”, diz ele, que atribui ao governo a tentativa de tornar a LDO uma “diretriz genérica e fácil de manipular”.

O governo argumenta que seus recursos estão excessivamente vinculados à educação, e que para aumentar o repasse deveria diminuir o de outras áreas igualmente necessitadas. “Ironicamente”, diz Simões, “quem primeiro calculou a verba de 11% para as universidades estaduais foi o ex-ministro da Educação, Paulo Renato, quando foi reitor da Unicamp”.

10/17/2005

Governo no Rumo Certo

 por Thiago Ferrarezzi...
 
 

Não tem sido nada fácil por em prática a idéia do governo Lula de fazer desse ano de 2005 um ano administrativo, não eleitoreiro. O desastroso resultado da eleição para presidente da Câmara – o terceiro cargo mais importante do país, depois da presidência e da vice, que guindou ao cargo o deputado fisiológico Severino Cavalcanti, foi apenas o começo das adversidades do executivo que perdeu, de fato, a precária maioria que detinha no legislativo.

Esse ano está definitivamente contaminado pela disputa presidencial que ocorrerá no final do próximo ano. Cada criança indígena que morre na periferia de Dourados – Mato Grosso do Sul, em decorrência das carências acumuladas em mais de cinco séculos de massacre e marginalização dos povos nativos, torna-se pretexto para virulentas matérias contra Lula e o PT na grande imprensa (Tvs, rádios e jornais,  órgãos que, jamais se preocuparam- com a sorte dessas comunidades) e para discursos agressivos e injuriosos de dezenas de deputados e senadores de oposição inclusive da mal chamada "base aliada",

Velhas denúncias contra aliados do governo Lula - Henrique Meirelles do PSDB e Romero Jucá que saiu do PSDB para o PMDB até então convenientemente escondidas pelo PSDB e PFL são agora desenterradas pela direita para tentar interditar qualquer aliança com o centro e a direita que respalde o governo, visando deixá-lo isolado e paralisado, sem o imprescindível respaldo parlamentar. É indiscutível que a bancada petista.teve que tapar o nariz para fazer algumas dessas alianças. A oposição tucano-peefelista, que fazia exatamente essas mesmas alianças complicadas, além de ser ela própria essencialmente fisiológica, sabe por experiência própria que é praticamente impossível encontrar políticos honestos fora das fileiras da esquerda.

O medo pânico dos que sempre oprimiram e exploraram nosso povo ante a provável reeleição de Lula (cuja popularidade segue elevada em todas as pesquisas) e da vitória do PT em Estados importantes como aqui em São Paulo, explica essa virulência toda. É evidente que não se pode ter qualquer ilusão na política macro-econômica adotada por Palocci, que toleramos apenas como a política possível, nessa adversa conjuntura específica, de prolongada e total desmobilização popular e de extrema dependência e fragilização financeira e geopolítica do país, conjuntura cuja superação é o grande desafio do PT, da CUT e do MST.

Lamentável e oportunisticamente a extrema-esquerda toma carona nessa mesma onda reacionária, levantando falsas denúncias de que o governo Lula pretenderia extinguir direitos trabalhistas. Em todas as modestas reformas implementadas ou propostas por Lula, como na previdenciária e na sindical, a extrema esquerda posicionou-se claramente à direita do governo federal, defendendo a manutenção de privilégios absurdos. A tática dos pequenos PSOL e PSTU é de tentar engrossar suas fileiras com a adesão dos setoressindicais mais corporativistas e com É irônico verificar que ACM e Heloisa Helena falam agora a mesma linguagem e votam juntos sempre. Unem-se inclusive para lançar injúrias contra Lula e o PT.

Na verdade mesmo não mudou em nada a essência do PT, que não rouba e não deixa roubar. Em dois anos e cinco meses sob o governo Lula, a Polícia Federal efetuou mais de 1.500 prisões de pessoas acusadas de corrupção com dinheiro público, 77 antigos esquemas de quadrilhas de colarinhos brancos, até então impunes, entre vampiros, gafanhotos, gabirus, curupiras e tutti quanti. Prendeu inclusive vários filiados ao Partido, inclusive governador de Estado, prefeito de capital e funcionários federais de alto escalão.

 O PT nunca prometeu governar sem corrupção. Há muitos anos, em 1990, durante o governo paulistano de Erundina, o PT flagrou um de seus dirigentes – Paulo Azevedo, que fora candidato a vice-governador de São Paulo na Chapa de Lula, no famoso caso de exorbitante compra arruelas para a CMTC. Azevedo foi expulso e hoje assessora adversários do PT em São Caetano.

Injúrias as mais estapafúrdias das elites privilegiadas contra o PT e contra Lula sempre existiram e vão ficar ainda piores com a aproximação da nova eleição presidencial. Como no famigerado caso da "mansão de Lula no Morumbi", além dos procedimentos judiciais cabíveis em cada caso, só nos resta utilizar a arma dos justos, a ironia, como fazia Lula que sorria pedindo ao detrator que lhe desse o endereço da tal "mansão" para que pudesse mudar com a família para lá.

A ofensiva da direita é tão intensa e radical que muitos de nós ficamos inibidos em defender o governo Lula, que, entretanto, realiza um governo muito bom para o país e para o povo, aliás, o melhor que tivemos nesses 505 anos. Lula é muito modesto quando compara seu governo aos de JK e Getúlio.

Mercadante tem toda razão quando diz que elites tradicionais conspiram para derrubar o governo Lula. O fundamentalismo anti-petista, preconceituoso e irracional dos discursos dos deputados, senadores e da grande imprensa; o caráter de cruzada anti-popular e anti-populista da reunião internacional de partidos de direita patrocinada pelo núcleo principal da antiga ARENA, hoje denominada PFL (que, envergonhadamente se autodenominou democrática e de centro); a truculenta e triunfalista mobilização contra a MP 232, encetada por notórios sonegadores de impostos; protestos empresariais com uso de veículos pesados para fechar estradas, são sintomas clássicos e típicos de conspiração direitista, muito parecidos aos que já vimos no Chile em 1972/73 ou na Venezuela em 2002/2003.

Sob Lula a economia voltou a crescer, impulsionada pelas mudanças que vem imprimindo sobretudo na política microeconômica. Lula colocou bilhões de reais nos programas de renda mínima, distribuindo ajuda pecuniária de oitenta reais em média para sete milhões de famílias carentes. Nesse ritmo certamente cumprirá o compromisso de dar essa renda para todas as onze milhões e seiscentas mil famílias carentes do país, até o final de seu governo. Em dois anos e meio, Lula deu três aumentos reais seguidos para o Salário Mínimo que hoje vale cento e vinte dólares/mês. Bilhões de reais são oferecidos aos pequenos empreendedores através do micro-crédito. A agricultura familiar nunca recebeu tanto apoio financeiro e técnico como agora.

Tudo isso provocou uma reação na economia. A geração de empregos voltou a ocorrer em larga escala. Até abril foram criados dois milhões e setecentos mil novos postos de trabalho com Carteira assinada no país, isso sem falar de outros novos cinco milhões de empregos informais, calando a boca daqueles que duvidavam que Lula cumpriria o compromisso de criar dez milhões de novos empregos em seus quatro anos de mandato.

Sem a busca da popularidade fácil que caracteriza todo populista, Lula revela seu caráter de autêntico líder popular, implementando medidas corretas em favor do povo, iniciando o resgate de dívida social histórica com os negros e indígenas, demarcando corajosamente terras de quilombolas e reservas de povos nativos, no que afronta interesses poderosos de oligarquias locais, como no caso da Reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima. A criação de parques e áreas de preservação ambiental como em Anapu no Pará e tantas outras, medidas impopulares nas regiões diretamente afetadas é outro exemplo da seriedade do governo Lula no cumprimento de seu mandato autenticamente popular.

Lula tornou-se um caixeiro viajante da indústria e da agricultura de nosso país. Como não poderia fazer essas viagens no "sucatão", seu governo comprou um novo avião, economizando no fretamento de aviões de carreira e garantindo, sobretudo primordial segurança ao mandatário legitimamente eleito pela imensa maioria de nosso povo. A marola contra o "aerolula" não esconde o mórbido desejo de alguns de que Lula tenha seu governo interrompido por um acidente aéreo. 

A pauta de exportações do Brasil cresceu como nunca e o perfil dos que importam nossos produtos mudou radicalmente, crescendo muito, o intercâmbio comercial com a China, com a Argentina, com a Índia, a África do Sul e os países árabes. Os méritos da política externa de Lula são reconhecidos por todas as pessoas sérias dentro e fora do país. O Brasil voltou a ser respeitado internacionalmente, coisa que não acontecia há muitas décadas. A Cúpula América Latina-Países Árabes foi um sucesso espetacular e assustou as grandes potências, desacostumadas com tamanha ousadia.

O fato novo relevante da conjuntura é exatamente esse – a direita se exasperou ante a perspectiva concreta da reeleição de Lula e já iniciou a disputa eleitoral de 2006. Cabe a nós todos, trabalhadores, aceitar o desafio e assumir nosso protagonismo na defesa do governo popular. Não nos faltam bons motivos e argumentos para fazer a defesa orgulhosa consistente do governo Lula. É hora de darmos uma chacoalhada inclusive em nossos deputados e senadores, que com poucas exceções, parecem intimidados com a asquerosa ofensiva das oligarquias.

Chamaram-nos para a briga, pois, aqui estamos!

Thiago Ferrarezzi, é aluno de Física no IFSC USP- São Carlos, Filiado ao PT de Itápolis desde 2001. Coordenador de Juventude Petista na cidade de São Carlos.

 

10/7/2005

PT vota SIM ao desarmamento e desfaz mitos disseminados pelos defensores das armas

O Partido dos Trabalhadores está engajado na campanha pelo voto no SIM ao desarmamento no referendo que ocorrerá no próximo dia 23 de outubro. Nesse dia, todos os eleitores deverão ir às urnas para fazer sua escolha com base na seguinte pergunta: "O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?"

O PT vota no SIM por considerar que esta escolha colaborará para a criação de um ambiente político–social de democracia, civilidade e justiça. Por isso, o partido convoca toda sua militância a se engajar ativamente na campanha pelo SIM.

A seguir, reproduzimos algumas informações que desfazem mitos e distorções disseminados por defensores das armas. As informações foram retiradas do site da campanha "Diga Sim à Vida - Vote 2" (www.referendosim.com.br).

O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?

Pesquisas de opinião revelam que a maioria da população brasileira apóia o desarmamento. Para evitar a derrota no referendo, os defensores das armas estão distorcendo fatos e difundindo mentiras pela internet. Previna-se contra elas.

O Brasil é o país com o maior número de pessoas mortas com armas de fogo no mundo. Em 2003 ocorreram 108 mortes por dia, quase 40 mil no ano [Datasus, 2003]. As armas de fogo matam mais do que acidentes de trânsito e são a maior causa de mortes de jovens neste país.

Os defensores das armas dizem que o desarmamento é típico das ditaduras.

O Estatuto do Desarmamento e a Campanha de Entrega Voluntária de Armas foram democraticamente votados pelo Congresso Nacional brasileiro, por isso, não podem ser caracterizados como "ameaças totalitárias". O referendo popular é o instrumento mais democrático de que dispõe a população para decidir sobre leis que vão regular a sua vida.

Os defensores das armas alegam que, em 1938, Hitler desarmou a população da Alemanha, permitindo assim o genocídio dos judeus. No entanto, o controle de armas é muito anterior ao Terceiro Reich. Em 1928, a República de Weimar aprovou leis de controle de armas exatamente para reprimir as milícias armadas do partido nazista. Hitler não chegou ao poder pelas armas, mas pelas urnas.

Nos regimes totalitários, desarma-se a população e armam-se as milícias para melhor subjugar os cidadãos. Nas democracias, a defesa da vida está a cargo de forças públicas de segurança legitimamente constituídas e o objetivo do desarmamento é aumentar a segurança do povo.

Os defensores das armas querem nos convencer que não adianta proibir o comércio legal porque os criminosos usam armas ilegais.
O equívoco desta visão está em ignorar que 99% das armas de fogo no país são legalmente produzidas. No Rio de Janeiro, 30% das armas apreendidas na ilegalidade tinham sido vendidas originalmente para "cidadãos de bem", e depois desviadas para o mercado clandestino [Polícia Civil RJ, 2003].

Bandidos não compram arma em loja, mas vão tomá-las nas casas de quem comprou. No Estado de São Paulo, segundo a Polícia Civil, das 77 mil armas apreendidas em 1998, 71.400 foram roubadas de seus donos originais e 5.500 extraviadas por eles. O desarmamento vai ajudar a secar esta fonte de armas para a criminalidade.

Quem é contra o desarmamento alega que a medida só vai desarmar a "população ordeira" e que os bandidos vão continuar armados. Na verdade, quem combate o estatuto é contra um maior controle sobre as armas de fogo no Brasil, pois a maioria dos artigos do Estatuto do Desarmamento dá meios à policia para aprimorar o combate ao tráfico ilícito de armas e para desarmar os bandidos.

O estatuto estabelece a integração entre as bases de dados da Polícia Federal, sobre armas apreendidas, e do Exército, sobre o comércio. Agora, as armas encontradas nas mãos de bandidos podem ser rastreadas e as rotas do tráfico desmontadas.

Também pela nova lei, todas as novas armas serão marcadas na fábrica, o que vai ajudar a elucidar crimes e investigar as fontes do contrabando. Para evitar e reprimir desvios dos arsenais das forças de segurança pública, todas as munições vendidas para elas também vão ser marcadas.

Dizem que a venda clandestina de armas vai aumentar, mas abolir o comércio legal de armas também vai prejudicar o mercado ilegal.
Mais de 50 mil armas por ano são vendidas legalmente no Brasil. A redução da oferta no comércio legal vai levar a um aumento dos preços no mercado ilegal, tornando mais difícil a aquisição. Esta tendência já está comprovada, por exemplo, no Estado de Santa Catarina onde, segundo fontes policiais, o preço do revólver calibre 38 quintuplicou no mercado ilegal.

Todo cidadão tem o direito à legítima defesa da sua família, casa e propriedade.
É um equívoco, no entanto, achar que ter uma arma de fogo em casa é uma proteção. Essas armas costumam ser usadas contra a própria família muito mais vezes do que ser usadas na sua defesa.

Segundo o governo norte-americano [FBI, 2001], "para cada sucesso no uso defensivo de arma de fogo em homicídio justificável, ocorrem 185 mortes com arma de fogo em homicídios, suicídios ou acidentes".

Grande parte dos homicídios com arma de fogo é cometida por pessoas sem antecedentes criminais que se conhecem em conflitos banais que acabam em tragédias como brigas entre cônjuges, entre vizinhos, no trânsito. Ter uma arma aumenta o risco, não a proteção!

O movimento pró-armas copia os panfletos da Associação Nacional de Fuzis (NRA) dos EUA e argumenta que carros também matam.

Armas de fogo foram projetadas para matar; carros, não. Os automóveis matam por acidente e não de forma intencional. As armas de fogo matam com eficácia, à distância e sem dar chance à vítima.

No Brasil [Datasus, 2002], 63,9% dos homicídios são cometidos por arma de fogo, enquanto 19,8% são causados por arma branca. Facas, paus e pedras também podem ser usados em agressões, mas armas de fogo são muito mais letais: de cada quatro feridos nos casos de agressões por arma de fogo, três morrem.

Em relação aos suicídios, as tentativas com armas de fogo resultaram em morte em 85% dos casos [Annals of Emergency Medicine,1998]. Um conflito doméstico com arma de fogo tem 12 vezes mais chances de resultar em morte do que um conflito doméstico onde usou-se outro tipo de arma [J. of American Medicine]. Quando uma arma de fogo participa do conflito, a vítima raramente tem uma segunda chance!

O lobby das armas usa dados questionáveis sobre crimes e homicídios em países onde as armas são rigorosamente controladas.
Os dados verdadeiros são os seguintes:

Na Austrália, desde a provação da nova lei, em1996, o número total de mortes diminuiu 43% e a taxa de homicídios por arma de fogo caiu 50% [Australian Bureau of Statistics, 2003]. O movimento pró-armas fala de uma "onda de criminalidade" na Austrália, mas não revela que só houve aumento nos assaltos cometidos com armas brancas (20%).

Na Inglaterra, onde o acesso a armas de fogo é rigorosamente proibido, elas são usadas só em 8% dos assassinatos e essa é uma das razões porque a taxa de homicídios é tão baixa naquele país. O aumento do número de delitos com armas neste país deve-se ao uso de armas que a legislação não proibiu, como as armas de ar comprimido e as réplicas [UK Home Office].

No Japão, onde as armas são proibidas, as taxas de homicídio são as mais baixas do mundo: 0,03 em cada 100 mil habitantes [OMS, 2002] - 800 vezes menor que no Brasil. Os Estados Unidos, onde existe uma arma para cada adulto, têm a maior taxa de homicídio entre os países desenvolvidos.

O Brasil já tem armas demais. São 17,5 milhões, 90% nas mãos de civis. Mas os vendedores de armas querem continuar faturando com essa indústria mortal.

Diga SIM...

1- A morte por armas de fogo é a principal causa de morte entre a juventude brasileira.

Dados da UNESCO e do IBGE mostram que em 1980, 30% dos jovens que morreram no

Brasil foram assassinados. Em 2002, este número passou a 54,5%. Entre 1993 e 2002 os

homicídios entre jovens de 15 e 24 anos cresceram 88,6%. Se tomado o total da população

do país, as armas de fogo são responsáveis por cerca de 40 mil mortes ao ano, 40% deste

total são de jovens. Jovens homens morrem mais por arma de fogo do que por acidentes de

trânsito, AIDS, ou qualquer outra doença externa.

2- Os únicos beneficiários com o comércio de armas são um pequeno grupo de empresas,

na maioria transnacionais, que fabricam armas no Brasil e no exterior. Segundo

levantamento realizado em 2005, existem em circulação no Brasil cerca de 17,5 milhões de

armas, 10% em poder do Estado. Ou seja, o comércio de armas de fogo e munição é um

negócio lucrativo para essas empresas, que estimula a cultura da violência.

3- Controlar as armas legais ajuda na luta contra a violência e na luta contra o crime.

Levantamento da polícia do Rio de Janeiro mostra que 76% das armas apreendidas naquele

Estado (1993-2003) são fabricadas em território nacional e 30% destas tinham registro legal.

Dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo de 1993 a 2000

mostram que 100.146 armas foram roubadas, furtadas ou perdidas, cerca de 14.306 ao ano.

O que comprova que as armas compradas legalmente acabam nas mãos de criminosos seja

por perda, roubo ou revenda.

4- A luta pelo desarmamento está indissociável da luta contra a cultura da violência, faz

parte da valorização da vida em contraposição à sua banalização, faz parte do respeito e

resgate da dignidade humana e da construção de uma cultura da paz.

5- O porte da arma não protege ninguém. Pelo contrário, portar arma de fogo é um perigo

latente. Segundo dados do FBI de 2001, para cada sucesso no uso defensivo de arma de

fogo em homicídio justificável, houve 185 mortes com arma de fogo em homicídios, suicídios

e acidentes. Tanto que as autoridades policiais e especialistas recomendam nunca reagir

em caso de agressão.

6- Famílias que guardam armas em casa são vítimas de acidentes trágicos envolvendo

crianças e outros familiares. No Brasil, duas crianças (entre 0 e 14 anos) são feridas por

tiros acidentais todos os dias.

7- A arma de fogo reforça o sentimento da impunidade, da virilidade masculina, do

machismo e de que os conflitos podem ser resolvidos pela força e não através do diálogo

entre as pessoas, e, sobretudo de melhoria das condições de vida dos pobres do Brasil.

Portar armas de fogo transforma desavenças banais em tragédias irreversíveis. Segundo

dados da divisão de homicídios da Polícia Civil de São Paulo, as vinganças e crimes

passionais são as primeiras motivações para os homicídios entre pessoas que se conhecem

e que não possuem vínculo com práticas criminosas.

8- Nos países em que há legislação de controle de venda de armar de fogo e munição

houve acentuada diminuição de mortes e acidentes. Estudo da UNESCO aponta que

Austrália, Inglaterra e Japão estão entre os países do mundo onde menos se mata com

arma de fogo. Na Austrália, 5 anos após a vigência de lei sobre o tema, a taxa de homicídios

por arma de fogo foi reduzida em 50%. Entre as mulheres essa diminuição foi de 57%.

Enquanto isso, os países em que há liberdade de venda de armas figuram entre os mais

violentos do mundo. Os Estados Unidos, por exemplo, é o 8º país mais violento do mundo.

No Brasil, após a vigência da Campanha do Desarmamento (de agosto de 2004 a fevereiro

de 2005), estudo do Ministério da Saúde mostrou que as internações por lesões com armas

de fogo diminuíram 10,5% no Rio de Janeiro e 7% em São Paulo.

9- Em dezembro de 2003, foi sancionado o Estatuto do Desarmamento - lei nº 10.286, que é

uma lei que desarma o criminoso, dando à polícia meios para aprimorar o combate ao tráfico

ilícito de armas. Pela nova lei, todas as novas armas serão marcadas na fábrica, o que

ajudará a elucidar os crimes e investigar as fontes de contrabando. Para evitar e reprimir

desvios dos arsenais das forças de segurança pública, todas as munições vendidas para

elas também serão marcadas. A implementação do Estatuto em sua totalidade é um dos

principais instrumentos que a sociedade possuí para desarmar os bandidos.

10- A proibição do comércio de armas de fogo e de munição, isoladamente, não será capaz

de solucionar o problema da criminalidade, mas junto com outras ações é um passo

importantíssimo. É preciso desenvolver políticas públicas para diminuir as desigualdades

sociais em nosso país. Políticas de inclusão social, de geração de emprego e renda,

universalização do acesso à Educação e à Saúde, amplo acesso à Cultura, ao Esporte e ao

Lazer, como instrumentos de formação e de promoção da igualdade social.

8/31/2005

O Facismo da Direita.

"A gente vai se ver livre desta raça (sic), por, pelo
menos, 30 anos", disse o senador Jorge Bornhausen
(PFL). Ele merece processo por discriminação, embora
no seu meio - de fascistas e banqueiros - é usual
referir-se ao povo dessa maneira - são "negros",
"pobres", "sujos", "brutos".



"A gente vai se ver livre desta raça (sic), por, pelo
menos, 30 anos" (Jorge Bornhausen, senador racista e
banqueiro do PFL)



O senador Jorge Bornhausen é das pessoas mais
repulsivas da burguesia brasileira. Banqueiro,
direitista, adepto das ditaduras militares, do governo
Collor, do governo FHC, do governo Bush, revela agora
todo o seu racismo e seu ódio ao povo brasileiro com
essa frase, que saiu do fundo da sua alma – recheada
de lucros bancários e ressentimentos.

Repulsivo, não por ser loiro, proveniente de uma
região do Brasil em que setores das classes dominantes
se consideram de uma raça superior, mas por ser
racista e odiar o povo brasileiro. Ele toma o embate
atual como um embate contra o povo – que ele
significativamente trata de "raça".

Ele merece processo por discriminação, embora no seu
meio – de fascistas e banqueiros – sabe-se que é usual
referir-se ao povo dessa maneira – são "negros",
"pobres", "sujos", "brutos", - em suma, desprezíveis
para essa casa grande da política brasileira que é a
direita – pefelista e tucana -, que se lambuza com a
crise atual, quer derrotar a esquerda por 30 anos, sob
o apodo de "essa raça".

É com eles que anda a "elite paulista", ultra-sensível
com o processo de sonegação contra a Daslu, mas que
certamente não dirigirá uma palavra de condenação a
seu aliado estratégico (da mesma forma que a grande
mídia privada). São os amigos de FHC e de seus
convivas dos Jardins, aliados do que de mais atrasado
existe no Brasil, ferrenhamente unidos contra a
esquerda e o povo.

Mas não se engane, senhor Bornhausen, banqueiro e
racista, muito antes do que sua mente suja imagina, a
esquerda, o movimento popular, o povo estarão nas
ruas, lutarão de novo por uma hegemonia democrática,
anti-racista, popular, no Brasil. Muito antes de sua
desaparição definitiva da vida pública brasileira,
banido pelo opróbio, pela conivência com a miséria do
país mais injusto do mundo, enquanto seus bancos
conseguem os mairores lucros especulativos do mundo,
sua gente será definitivamente derrotada e colocada no
lugar que merece – a famosa "lata de lixo da
história".

Não, senhor Bornhausen, nosso ódio a pessoas abjetas
como a sua, não os deixará livre de novo para governar
o Brasil como sempre fizeram – roubando, explorando,
assassinando trabalhadores. O seu sistema, o sistema
capitalista, se encarrega de reproduzir cotidianamente
os que se opõem a ele, pelo que representa de
opressão, de expoliação, de desemprego, de miséria, de
discriminação – em suma, de "Jorges Bornhausens".

Saiba que o mesmo ódio que devota ao povo brasileiro e
à esquerda, a esquerda e o povo brasileiro devotam à
sua pessoa – mesquinha, desprezível, racista. Ele nos
fortalece na luta contra sua classe e seus lucros
escorchantes e especulativos, na luta por um mundo em
que o que conte seja a dignidade e a humanidade das
pessoas e não a "raça" e a conta bancária. Obrigado
por realimentar no povo e na esquerda o ódio à
burguesia.





Emir Sader, professor da Universidade de São Paulo
(USP) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro
(Uerj), é coordenador do Laboratório de Políticas
Públicas da Uerj e autor, entre outros, de "A vingança
da História".

8/23/2005

A universidade: um novo tempo

A apresentação do projeto da reforma universitária, feita pelo ministro da Educação Tarso Genro ao presidente Lula, na sexta-feira (29), é um marco histórico no ensino brasileiro. Um país que busca consolidar um novo modelo de desenvolvimento, voltado para o crescimento com distribuição de renda e equilíbrio ambiental, não pode prescindir de uma estrutura de ensino superior e de pesquisa que dê suporte e qualidade para este projeto. A reforma que se apresenta é o resultado dos sonhos, das lutas e das reflexões de gerações de estudantes, de professores, de funcionários, de cidadãos que há décadas vêm buscando uma universidade melhor.

A universidade brasileira foi vítima durante muito tempo do descaso dos governantes. Particularmente nos anos 90 se acentuou a tendência à mercantilização do ensino. Em 1994, 42% das vagas dos cursos de graduação eram da rede pública e 58% da rede privada. Uma década depois a rede pública se reduziu a 29% enquanto a privada avançou para 71%.

 

Acentuaram-se também as disparidades regionais: as regiões sul e sudeste concentram 70% das instituições universitárias e centros federais de educação tecnológica do país.Uma universidade pública ligada a um projeto de nação, voltada para o desenvolvimento e ao mesmo tempo instrumento de redução das desigualdades sociais e regionais, é um imperativo desta era do conhecimento. É nesta direção que aponta a reforma.

 

A concepção de educação como um bem público por meio do ensino, da pesquisa e da extensão tem esta referência republicana e nacional. Rejeita-se, portanto, a definição de educação superior do Banco Mundial como "bem público global", que abre espaço para uma confluência entre as políticas de governo e as estratégias de expansão de provedores educacionais transnacionais.

 

Ao contrário desta tendência desnacionalizante, a reforma busca construir uma universidade plenamente enraizada em um projeto de país. E foi construída de uma forma concertada, com ampla participação de docentes e estudantes durante mais de um ano. Estudos foram feitos. Debates nas Instituições federais e centros de pesquisa colheram sugestões. Os diversos atores sociais, inclusive aqueles tradicionalmente excluídos do debate universitário como os movimentos sociais, as Centrais Sindicais, associações profissionais e empresariais, participaram de sua formulação. Esta proposta, portanto, sintetiza o que de melhor o país formulou no nosso tempo, na educação superior, para o futuro de nossas gerações.

8/2/2005

Receitas Arabes

Abobrinhas recheadas com molho grosso

 

 

Ingredientes

12 abobrinhas pequenas
2 tomates cortados em rodelas
8 tomates cortados ao meio
1 colher (sobremesa) de manteiga
1/2 kg de músculo cozido e cortado em fatias
1 concha de caldo de músculo
1 colher (sopa) de massa de tomate
dissolvida em água quente
1 dente de alho socado
1 xícara (chá) de arroz
hortelã seca

Recheio

1/2 kg de alcatra moído
1 xícara (chá) de arroz
1 colher (sobremesa) de manteiga fresca
2 a 3 colheres (sopa) de caldo de músculo
pimenta síria
sal

Modo de Fazer

Corte as tampas das abobrinhas e salgue as partes finas. Com uma faca, tire o máximo de miolo, com muito cuidado.

Deixe as abobrinhas de molho em água com sal, alho e hortelã por meia hora. Enquanto isso prepare o recheio misturando a carne e o arroz com a manteiga.

Tempere com o sal e a pimenta síria e acrescente o caldo de músculo aos poucos. Com o recheio pronto, retire as abobrinhas da água, recheie sem apertar, deixando uma folga de 2 cm para o arroz crescer. À parte, forre a panela com o músculo e algumas rodelas de tomate.

Arrume por cima as abobrinhas e cubra-as com os tomates cortados ao meio e o caldo de músculo. Tempere com sal, pimenta síria e ponha um prato por cima de tudo. Tampe e deixe cozinhar em fogo brando, até que reste apenas um molho. Acrescente a massa de tomate e deixe cozinhar por alguns minutos.
Sirva as abobrinhas cobertas com um pouco do próprio molho.  

7/27/2005

Documentos ligam PSDB a caixa dois de Marcos Valério.

O PSDB foi pego de calças na mão. Nova denúncia sistematizada ontem pelo jornal O Globo aponta que o publicitário Marcos Valério foi beneficiário de empréstimos avalizados com contas publicitárias do governo tucano de Minas Gerais. Segundo a denúncia, em 19 de agosto de 98, a agência DNA Propaganda contraiu um empréstimo de R$ 11,7 milhões no Banco Rural, em Belo Horizonte. Atualizados, estes valores chegariam a R$ 26 milhões de reais hoje. É o mesmo banco envolvido hoje no escândalo que atinge o Partido dos Trabalhadores. A agência de publicidade ofereceu como garantia os créditos decorrentes de contratos assinados com as secretarias de Estado de Comunicações e de Governo de Minas Gerais para a produção e a veiculação de peças publicitárias.

Logo em seguida, uma outra empresa de Marcos Valério, a SMP&B, repassou dinheiro para pelo menos 70 políticos ou pessoas ligadas a políticos mineiros que pertenciam à coligação que apoiava a então reeleição do governador Eduardo Azeredo, hoje presidente nacional do PSDB. Entre estes 70 políticos estão deputados estaduais e federais do PSDB, PFL e PDT.

"Coisa da história"

 

A defesa de Eduardo Azeredo não poderia ser mais hipócrita: alegou que não tinha conhecimento do empréstimo feito pela DNA com a garantia das secretarias estaduais de Governo e de Comunicações, pois viajava muito em campanha e não mexia com a parte financeira. "O governo federal está tentando desviar o foco. Passaram-se três eleições, não faz sentido discutir uma campanha de 1998", reclamou ele, que considera ser descabido misturar "situações antigas com as denúncias atuais".

 

Curiosamente, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso repetiu o mesmo discurso de Azeredo, utilizando inclusive as mesmas palavras, para tentar desfiar o tal "foco".

Durante seminário internacional sobre a eqüidade pós-Kyoto, que o envolvimento de Eduardo Azeredo com Valério e financiamentos de campanha no período de 1998 seja investigado.

"Queremos apuração e não confusão. Precisamos passar o Brasil a limpo e temos que investigar tudo, mas sem perder o foco de que a crise é hoje. O que aconteceu no passado, no meu governo, é coisa da história",  disse um melindroso FHC ao comentar as denúncias de que Eduardo Azeredo usou o valerioduto de caixa 2 na campanha eleitoral de 1998.

Fernando Henrique se recusou a aceitar a idéia de que todos os partidos usam caixa dois para campanhas eleitorais. "Precisamos separar o joio do trigo", disse o líder tucano.

Num misto de constrangimento com agressividade, o líder do partido no Senado, Arthur Virgílio (AM), cobrou de Azeredo explicações. "Apresente-se logo à CPI e acabe logo com essa brincadeira de petistas. Acabe com essa patacoada", disse.

 

Virgílio rejeitou as comparações do esquema - que teria sido montado para o PT - com as doações realizadas por Valério a políticos mineiros em 1998. O tucano fez discurso na tribuna do Senado, rebatendo as declarações do líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP).

Mercadante disse na tribuna do Senado que a matéria divulgada pelo jornal O Globo é uma demonstração de que as empresas de Valério vêm atuando da mesma maneira desde 1998. "Essa matéria é importante porque demonstra com documentos, fatos, indícios, que havia um padrão de financiamento de caixa dois de campanha pelo menos desde 1998, das empresas do senhor Marcos Valério, com a participação dele, junto ao PFL e PSDB, no estado de Minas Gerais", afirmou.

Já o governador Geraldo Alckmin disse ontem que preferia não entrar em detalhes sobre as denúncias de envolvimento do PSDB no mar de lama, mas foi revelador ao dizer que "Investigação vale para todo mundo", mas prefere esperar explicações do senador Azeredo.

 

"Nenhum governo está imune a você amanhã cometer um erro. A gravidade é que isso parece não ser uma questão pontual, ela é sistemática. Você verifica que na realidade essa é a gravidade. Isso aí não é uma coisa ocasional. Você vê a dimensão que isso está tomando. E tudo aquilo que foi colocado pelo deputado Roberto Jefferson vem sendo confirmado - disse ele, que não compartilha da tese de que o governo teria interesse em desviar o foco com o envolvimento de Marcos Valério numa campanha tucana. "Acho que não se pode fazer essa colocação", disse ele.

O sub-relator da CPI dos Correios, deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR) —o mesmo que aparece nas sessões da CPI fazendo discursos efusivos pela moralidade—, classificou a denúncia como um "caso restrito". Segundo ele, a origem, a forma de movimentação e o volume do dinheiro no caso de Minas Gerais apresentam diferenças em relação ao esquema já descoberto que liga o empresário ao PT.

 

Aécio e Dantas também estão envolvidos

 

Além de políticos do PSDB, a investigação da CPI dos Correios incluirá no rol de investigados o empresário Daniel Dantas depois de identificados depósitos no valor aproximado de R$ 40 milhões feitos na conta do Banco do Brasil da empresa DNA. Dantas manteve negócios suspeitos na área de telecomunicações durante o governo de Fernando Henrique Cardoso.

 

Ao ver o nome de um pretenso candidato à candidato à presidência da República envolvido no esquema, o diretório estadual do PSDB de Minas negou que o empresário Marcos Valério tenha atuado como assessor da coligação Minas Unida, que conduziu o então deputado federal Aécio Neves ao governo do Estado. Em nota à imprensa, contestando as informações dadas pela mulher de Valério, Renilda Maria Santiago, à CPI dos Correios, o partido informa que, para a campanha majoritária de 2002, foi formado um comitê "por renomados e reconhecidos profissionais do mercado", entre os quais não estava o sócio da DNA e SMPB.

A nota informa ainda que Valério e nem suas agências prestaram "qualquer tipo de serviço ou consultoria a outro setor da campanha eleitoral". O comunicado informa também que a DNA e a SMPB, bem como o empresário Marcos Valério, não trabalharam na campanha de 1998 do então deputado federal Aécio Neves.

 

Documentos desarrumados

 

Os documentos do Banco Rural que relacionariam os saques das contas do publicitário Marcos Valério com integrantes do PSDB chegaram desarrumados à CPI dos Correios. A informação é da senadora Ideli Salvati (PT-SC) e consta no site do PT que alega que os documentos comprovariam denúncias publicadas no jornal “O Globo”.

Ainda segundo a senadora, os documentos referentes ao PT vinham bem arrumados e os papéis que informavam saques de membros de outros partidos estavam desarrumados e incompletos. Para Ideli, a intenção era mostrar que irregularidades aconteciam somente com o PT.

7/25/2005

PSDB e PFL também sacaram das contas de Marcos Valério

PSDB e PFL também sacaram das contas de Marcos Valério
Tucanos e pefelistas de MG também beberam nas fontes de recursos disponibilizadas por contas de empresas do publicitário Marcos Valério. Ao justificar uso do dinheiro, o deputado Roberto Brant (PFL) resumiu: "quem não tiver recebido dinheiro não contabilizado que atire a primeira pedra".
Marco Aurélio Weissheimer e Jonas Valente - Carta Maior    21/07/2005

Não foi preciso nem um mês para a crise chegar também à oposição. A devassa nas movimentações financeiras da SMP&B mostraram que além da extensa lista de petistas e integrantes da base aliada, algumas pessoas ligadas aos principais partidos da oposição, PSDB e PFL, também sacaram o “dinheiro podre” do publicitário mais conhecido do Brasil. Embora represente uma bomba que coloca o desenvolvimento da crise em um novo patamar, a noticia mereceu uma reação que variou entre o “não é comigo” do PSDB e a confirmação arrogante do PFL, além de ter recebido muito menos destaque nos veículos da grande mídia do que a presença de um ex-assessor do senador Delcídio Amaral (PT-MS), presidente da CPMI dos Correios, na referida lista e uma gravação que pode indicar um suposto envolvimento do caixa 2 do PT com um grupo criminoso que atua com fraudes na Previdência Social.

Ex-ministro da Previdência no governo FHC, o deputado Roberto Brant (PFL-MG) confirmou que seu assessor Nestor Francisco Oliveira sacou R$ 102 mil da conta de uma das empresas do publicitário, na já famosa agência do Banco Rural, em Brasília. Já o tucano Paulo Menecucci, que também fez saques na conta da SMP&B, informou, quinta-feira, que o dinheiro foi usado para a campanha de João Leite (PSB), que concorreu à prefeitura de Belo Horizonte, em 2004. Os tucanos faziam parte da coligação que apoiou João Leite. Segundo já apurou a CPI dos Correios, Menecucci sacou R$ 205 mil na conta do Banco Rural. Há um outro nome ligado aos tucanos mineiros que também já foi identificado como usuário das contas de Marcos Valério. Cristiano Paiva Nunes sacou R$ 300 mil da conta da SMP&B. Ele é funcionário da deputada estadual Vanessa Lucas (PSDB-MG), que é casada com o ex-prefeito de Contagem, Ademir Lucas, também do PSDB.

As explicações: atire a primeira pedra... 
Ao justificar o uso do dinheiro, Roberto Brant saiu-se com uma explicação que vem fazendo escola: “quem não tiver recebido dinheiro não contabilizado que atire a primeira pedra”. Brant informou à direção do PFL que recebeu também uma doação “por fora”, da empresa Usiminas, no valor de R$ 150 mil. Esse dinheiro, segundo ele, uma vez deduzidos os impostos, resultou no saque de R$ 102 mil feito por Nestor Francisco Oliveira. Esse tipo de doação, segundo Brant, “faz parte do sistema eleitoral brasileiro”. Ele disse ainda que usou o dinheiro para pagar Iran Pessoa de Melo,  coordenador de seu programa de televisão na campanha para a prefeitura da capital mineira. Brant garantiu que vai fazer uma retificação em sua prestação de contas.

Citada por Brant como fonte de doação de dinheiro não contabilizado, a Usiminas afirmou, quinta-feira, que ainda não tem um posicionamento oficial sobre o assunto. Ao comentar o caso, o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), garantiu que o deputado Roberto Brant “continua a merecer a confiança integral” do partido.  “O Roberto Brant reconhece os seus erros, e o PFL tem confiança integral nele e ele não será punido”, resumiu Bornhausen. A assessoria do partido falou que, por enquanto, a posição oficial do partido é a manifestada por Bornhausen mas que a direção da sigla deve reunir-se na próxima semana para discutir o asunto.

No PSDB, a estratégia foi a inversa. A assessoria da Executiva Nacional do partido afirmou que a instância máxima dos tucanos não iria se manifestar por não ter tomado ciência destes atos, os quais caracterizou como “ações isoladas e sem relação com o partido”. Consultado, Cristiano Paiva Neves, assessor parlamentar do gabinete da deputada mineira, Vanessa Lucas, divulgou nota declarando que “nega que tenha efetuado qualquer saque na conta SMP&B e informa que jamais manteve quaisquer contatos com representantes da citada empresa”.

As revelações mostram um tratamento bem diferente da cúpula tucana e pefelista quando se trata destes casos. No caso do caixa 2 admitido pelo tesoureiro licenciado do PT, Delúbio Soares, duas importantes lideranças da oposição, os líderes do PSDB, Artur Virgílio (AM), e do PFL, Agripino Maia (RN), foram ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) protocolar um pedido de suspensão do repasse do Fundo Partidário para o PT (estimada em R$ 35 milhões para este ano). Será que Virgílio e Maia irão também protocolar o mesmo pedido ou aceitar que outros o façam em relação às suas siglas? Pelo que pode ser percebido da declaração de Jorge Bornhausen, tudo indica que não. Mas, se tomado o argumento apresentado por eles junto ao TSE e a declaração do governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), na quinta-feira, de que “a crise política no país, em conseqüência de um gravíssimo desvio ético por parte de integrantes do PT exige rigor nas punições dos envolvidos”, seus partidos também deveriam sofrer corte no repasse.

Diferença de tratamento na mídia
Para o deputado petista José Eduardo Cardozo (SP), os indícios da presença de PSDB e PFL nas denúncias de irregularidades no financiamento de campanhas mostram que a promiscuidade nas arrecadações de finanças é um problema do sistema eleitoral e atinge todos os partidos. “O episódio ressalta a hipocrisia dos discursos do PFL e PSDB quando sugerem que a corrupção eleitoral nasceu com a chegada do PT ao governo”, critica. Para Cardozo, a diferença entre o PT e, por exemplo, o PFL está nas reações aos fatos. De acordo com o parlamentar, é ruim que ao invés de buscar a punição, partidos como o PFL prefiram, com falsidades, colocar a questão no prisma da disputa político-eleitoral. “Temos que ter coragem de fazer uma investigação transparente e radical, independente de partido”, defende.

Na opinião do deputado Ivan Valente (PT-SP), a diferença de tratamento dado ao PT e aos partidos de oposição nas denúncias é também reforçada pela mídia. “A grande mídia tem interesse em focar o PT nas denúncias por que o partido possui uma história diferenciada de defesa da bandeira da ética na política e da transformação social, e os veículos têm lado e interesses diferentes, geralmente ligados a grandes empresários e à direita”, analisa. Segundo Valente, não há disposição da grande mídia de investigar os casos das gestões passadas, como  a de FHC, e as irregularidades ligadas a outros partidos que não os de sustentação do governo.

Na avaliação dos dois deputados, a situação tem se tornado crítica e deve piorar, envolvendo todos os partidos. “Tanto este episódio quanto os casos de governos anteriores não são apenas caixa 2. É evidente que estas empresas foram beneficiadas para doarem a quantia que doaram. A questão é conseguir provar como se deram estes benefícios”, comenta Ivan Valente. Na análise de José Eduardo Cardozo, atingindo todo mundo é difícil que haja uma sanção, o que evidencia a “necessidade de alterar o sistema de financiamento de campanhas”.

Outro tucano envolvido em caso de corrupção
Outro episódio ocorrido na quinta-feira evidenciou a visão de dois pesos e duas medidas dos tucanos. Enquanto todos os escândalos envolvendo petistas, principalmente a prisão do assessor do irmão de José Genoíno, José Guimarães, levando quase R$ 500 mil na cueca de São Paulo para o Ceará, foram tratados com espetacularidade de dentro do contexto das denúncias do mensalão, a prisão do ex-prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena Filho, foi caracterizada como “crime de motivações políticas”.

Nesta quinta, Lucena, que ocupa atualmente a Secretaria de Planejamento e preside o PSDB na Paraíba foi preso, acusado de integrar uma quadrilha que, desde 1999, vinha fraudando licitações na prefeitura de João Pessoa. Lucena foi ministro do Planejamento no governo FHC. Segundo informou a PF em Brasília, serão cumpridos 27 mandados de busca e apreensão relativos à operação da quadrilha, que já teria desviado R$ 13 milhões em licitações. Ainda segundo a Polícia Federal, as investigações começaram em março deste ano, com base em uma auditoria feita no ano passado pela Controladoria Geral da União.

Em nota oficial, o presidente nacional do PSDB, senador Eduardo Azeredo (MG), disse que os tucanos receberam com “estranheza” a notícia da prisão de Lucena. “É estranhável que o Ministério Público e a Corregedoria-Geral da União tenham buscado a medida extrema de um mandado de prisão sem sequer ouvir o ex-prefeito na esfera penal”, diz a nota. O líder do PSDB no Senado, senador Arthur Virgílio Neto (AM), procurou o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, para protestar contra a prisão de Lucena. Virgílio não encarou a prisão como “apuração rigorosa”, pelo contrário. O líder do PSDB advertiu Thomaz Bastos de que “a saída para o governo não é ficar criando culpados para tentar se salvar das acusações de corrupção” e chegou a ameaçar o governo. “Se este é o caminho que o governo escolheu, o Brasil passará por situações de enorme inquietação”.

Na reunião com Arthur Virgílio, o ministro Márcio Thomaz Bastos prometeu enviar ao senador toda a documentação que justifica a ação da Polícia Federal em conjunto com o Ministério Público. Na tribuna do Senado, o líder do governo na casa, Aloízio Mercadante (SP), saiu em defesa da ação da PF. “A operação da Polícia Federal tem amparo judicial e é resultado de uma investigação prolongada”. Mercadante assumiu que a PF às vezes comete abusos, como no caso das investigações sobre irregularidades no Ibama no Matro Grosso, mas considerou que o saldo final é positivo. “Às vezes, pode ser um rigor abusivo, mas é um rigor republicano, que atua com a mesma eficácia diante de qualquer pessoa, seja um funcionário público ou um governador, por exemplo. A Polícia Federal não pode perseguir ninguém, mas também não pode proteger alguém apenas porque esta possua prestígio, poder ou dinheiro”.

Longa relação de Valério com o PSDB
Os saques feitos pelo funcionário ligado à deputada estadual mineira Vanessa Lucas (PSDB) não são o início da relação do partido com Marcos Valério. Uma importante denúncia que corre no Supremo Tribunal Federal e que envolve o publicitário e o presidente nacional do partido, Eduardo Azeredo, vem passando desapercebida pelos olhares da mídia. De acordo com informações do deputado estadual Durval Ângelo (PT-MG), a SMP&B teria recebido cerca de R$ 1,5 milhão da Comig (Companhia Mineradora de Minas Gerais) para fazer uma campanha publicitária a partir da cota de patrocínio paga pela estatal para o Enduro Internacional da Independência, realizado em setembro de 1998, quando Azeredo era governador do Estado.

Até aí nada de errado. O problema é que a cota de patrocínio estipulada pela Rede Globo somava R$ 150 mil, que somados aos R$ 10 mil de despesas da agência somam montante quase 10 vezes menor ao recebido pela Comig. O caso ganhou maiores proporções quando foi descoberto que a SMP&B havia recebido iguais R$ 1,5 milhão de outra estatal mineira, a na Copasa – Companhia de Saneamento de Minas Gerais, para o mesmo evento. “Para aumentar ainda mais a gravidade dos fatos, um relatório de checagem das veiculações de publicidade pela televisão, no período entre 15 de agosto e 7 de setembro de 1998, demonstrou que não foi transmitida nenhuma propaganda das Comig ou da Compas, como patrocinadoras do
enduro”, informa o deputado.

Segundo Durval Ângelo, a relação entre a SMP&B e o governo de Azeredo é mais complexa. O parlamentar revela que Clésio Soares de Andrade, então candidato à vice na chapa em que Azeredo disputava a reeleição e hoje vice de Aécio Neves, operou uma triangulação para repassar as cotas que sua empresa, a Holding Brasil, possuía na agência de Valério de volta para o publicitário e os outros sócios, Cristiano de Mello e Ramon Cardoso. “A triangulação, comprovada por documentos levantados no Cartório de Registro de Pessoas Jurídicas, é a demonstração de que o vice-governador de Minas, Clésio Andrade transferiu para seus próprios sócios as quotas da SMP&B, exatamente às vésperas de a empresa ser indicada para receber um repasse milionário [a indicação da SMP&B para a campanha do Enduro ocorreu em 7 de agosto]”, sustenta Ângelo.
7/23/2005

Pinóquio Alkmim!!!!!!!!

O CONTO ORÇAMENTÁRIO DO GOVERNADOR PINÓQUIO
 
 
 
 
7/19/2005

Presidente do PSDB envolvido em Esquema com Marcos Valério

SMP&B já é ré em processo no STF, por recebimento irregular de verba de R$ 3 milhões do governo de Minas 
                                                    

Marcos Valério já fazia das suas negociatas há anos atrás quando era governador de Minas Gerais o atual presidente do PSDB Eduardo Azeredo. O caso está para ser julgado no Supremo Tribunal Federal.

 

De uma hora para outra o publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza se tornou uma das pessoas mais conhecidas do povo brasileiro. Em função das denúncias do deputado Roberto Jefferson (PTB), de que o publicitário seria o agente de pagamento do suposto mensalão, sua exposição na grande mídia alcançou níveis superiores às maiores estrelas globais. Todas as suas declarações tomam forma de manchete e seus depoimentos são transmitidos ao vivo, com tons dramáticos de novela.

Mas esta não é a primeira vez que o publicitário e a sua empresa - a SMP&B, sediada em Belo Horizonte - são denunciados. Há seis anos atrás, em 1999, o deputado estadual por Minas  Gerais, Durval Ângelo (PT), já levantava sérias acusações contra ele e a agência de publicidade, em seu o livro "O Vôo do Tucano", que teve tiragem de 20 mil exemplares. Na publicação, o deputado apontou uma série de irregularidades que teriam sido praticadas pelo Executivo de Minas Gerais, durante o governo de Eduardo Azeredo (1994-1998), hoje senador e presidente nacional do PSDB. Entre elas, estava o repasse de altas somas à SMP&B.

Segundo narra o deputado, o governo do Estado repassou aos cofres da Comig (Companhia Mineradora de Minas Gerais) a quantia de R$1,5 milhão, que seriam destinados a patrocínio do Enduro  Internacional da Independência, realizado em setembro de 1998. Estes mesmos recursos foram entregues  pela Comig à SMP&B Comunicação Ltda, em 21 de agosto daquele ano, para a realização de uma hipotética campanha publicitária.

No entanto,  conforme  investigações procedidas à época pelo advogado João Batista de Oliveira Filho, ex-procurador eleitoral, os recursos para publicidade foram, em muito, superiores ao previsto. Isto, porque a promotora do evento, a Rede Globo de Televisão, havia fixado o valor da cota de publicidade do Enduro da Independência em R$150 mil, mais R$10 mil de custos de produção. Ou seja, quase dez vezes menos do que o montante repassado à SMP&B pelo governo mineiro.

E o escândalo ganhou ainda maiores proporções, quando foi descoberto que o mesmo mecanismo havia sido utilizado na Copasa - Companhia de Saneamento de Minas Gerais. Uma nota fiscal de prestação de serviço, expedida pela SMP&B, em 7 de agosto de 1998, mostrou que  a agência havia recebido também da Copasa R$1,5 milhão para a publicidade de patrocínio do mesmo evento. Ou seja, por um serviço estimado em R$160 mil, a SMP&B acabou levando do governo mineiro R$ 3 milhões.

Para aumentar ainda mais a gravidade dos fatos, um relatório de checagem das veiculações de publicidade pela televisão, no período entre 15 de agosto e 7 de setembro de 1998, demonstrou que não foi transmitida nenhuma propaganda da Comig ou da Compas, como patrocinadoras do enduro.

resa pertencia a sócios do vice-governador de Minas

 
E porque o governo Azeredo seria assim tão benevolente com a SMP&B? O deputado Durval Ângelo apresenta uma razão plausível. Antes da terceira alteração de seu contrato social, ocorrida em 28 de junho de 1998, a SMP&B Comunicação Ltda tinha 40% de suas ações em poder da Holding Brasil S.A., divididos entre Marcos Valério Fernandes de Souza (o mesmo das denúncias do mensalão), Cristiano de Mello Paz e Ramon Hollerbach Cardoso.

A Holding Brasil, por sua vez, era, na ocasião, de propriedade de Clésio Soares de Andrade (PFL),   candidato a vice na chapa em que Eduardo Azeredo disputava a reeleição e, hoje, vice do governador Aécio Neves.  Em 28 de julho daquele ano, a Holding transferiu suas quotas na SMP&B para a Star Alliance Participações Ltda, constituída um dia antes (em 27/07/98), por Márcio de Souza e Sormane Santos dos Anjos. No Mesmo dia em que receberam as cotas, Márcio e Sormane as cederam para ninguém mais, ninguém menos que Marcos Valério, Cristiano de Mello e  Ramon Hollerbach Cardoso, que já eram sócios da SMP&B.

Segundo Durval Ângelo, a triangulação, comprovada por documentos levantados em Cartório de Registro de Pessoas Jurídicas, é a demonstração de que o vice-governador de Minas, Clésio Andrade transferiu para seus próprios sócios as quotas da SMP&B, exatamente às vésperas de a empresa ser indicada para receber um repasse milionário (a indicação da SMP&B para a campanha do Enduro ocorreu em 7 de agosto).

E a benevolência do governo tucano com a agência SMP&B não parou por aí. Nos seus últimos três dias de governo (29, 30 e 31/12/98), Azeredo, que alegava não ter recursos sequer para pagar o décimo-terceiro do funcionalismo, liberou R$281, 61 milhões para o pagamento de fornecedores e empreiteiros. Entre os beneficiados, estava justamente a SMP&B, que recebeu R$  1,608 milhão.

O processo sobre todas as irregularidades denunciadas pelo deputado  Durval Ângelo, atualmente, tramita no Supremo Tribunal Federal, que acatou denúncia do procurador-geral da República, Cláudio Fonteles. Na denúncia , ele argumenta que "Os fatos, significativamente lesivos ao erário mineiro, não apenas consistiram em fraude à licitação, mas também resultaram no enriquecimento ilícito da empresa beneficiária, SMP&B COMUNICAÇÃO LTDA e, por via transversa, dos próprios candidatos ao Governo do Estado de Minas Gerais, eis que parte de sua campanha fora patrocinada pela RÉ SMP&B COMUNICAÇÃO LTDA, conforme se provará".

O deputado, que defende a apuração de todas as acusações contra o PT,  reclama que não tenham o mesmo tratamento denúncias que envolvam outros partidos políticos. "Eu fiz essa denúncia envolvendo o ex-governador e hoje senador Eduardo Azeredo e a SMP&B, em 1998. Em 1999, o Ministério Público acatou a denúncia. Hoje, ela já está acatada pelo Supremo Tribunal Federal. Quer dizer, tanto Azeredo quanto Marcos Valério já são réus em um processo. Se o objetivo é um país ético e mais sério, também estes fatos deveriam merecer ampla divulgação, pois envolvem o mesmo publicitário que hoje ocupa todas as manchetes, bem como,  o presidente nacional de um grande partido político. Não dá para tratar as denúncias de forma diferenciada, conforme o partido que elas atingem", protesta.

 

7/6/2005

Fita envolve Alckmin em compra de voto

Fita envolve Alckmin em compra de voto

Diálogo telefônico entre os deputados estaduais Romeu Tuma Jr. (PMDB-SP) e Paschoal Thomeu (PTB-SP) sugere um suposto esquema de compra de votos na Assembléia Legislativa de São Paulo, envolvendo diretamente o governador Geraldo Alckmin (PSDB). O diálogo, gravado, ocorreu às vésperas da eleição do novo presidente da Assembléia Legislativa do Estado, vencida por Rodrigo Garcia (PFL) em 15 de março deste ano. A gravação foi divulgada hoje (6) em matéria da repórter Laura Capriglione no jornal Folha de S.Paulo.

 

Na conversa, Tuma Jr. tenta conquistar o voto de Thomeu para Garcia, que disputava o posto com o deputado Edson Aparecido (PSDB) – o candidato de Alckmin. Thomeu, na gravação, descarta o voto em Garcia e afirma que votará em Aparecido, alegando que Alckmin lhe prometera ajuda.

Thomeu diz que suas "seis firmas" estão "em situação muito difícil"; que está vendendo "umas terras pra CDHU", a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano, governo estadual, vinculada à Secretaria da Habitação; que não pode "cuspir no prato" em que come; e que o governador em pessoa, e não um intermediário, prometeu-lhe ajuda (leia abaixo trechos da conversa gravada).

Questionado sobre a conversa, Thomeu confirmou-a e lembrou-se de frases inteiras. Disse, contudo, que estava apenas tentando se livrar do assédio dos aliados de Rodrigo Garcia, como o deputado Tuma Jr.

O deputado Tuma Jr. recusou-se a comentar o conteúdo da gravação. Eleito em maio corregedor parlamentar na Assembléia, Tuma Jr. disse que só falaria sobre o assunto depois da publicação da reportagem. E encerrou a conversa: "Não esqueça de dizer que nessa história toda eu fui vítima. Eu fui o grampeado."

 

CPIs na gaveta
No dia 15 de março, como antecipava a conversa entre os dois deputados, Thomeu votou em Edson Aparecido. Tuma Jr. cravou Rodrigo Garcia. No placar geral, o dissidente Garcia foi eleito presidente por 48 votos a 46, ou 50% mais um dos votos da casa.

A disputa pela presidência da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo foi renhida. O PSDB presidia o Legislativo paulista desde 1995, quando Mario Covas (1930-2001) foi eleito governador pela primeira vez.


Na conversa gravada, Tuma Jr. tentou convencer Thomeu a votar em Rodrigo Garcia, alegando: “A gente vai criar uma independência”. O mote da “independência” explica-se. Até o dia da eleição do presidente da Assembléia, havia 48 pedidos de constituição de comissões parlamentares de inquérito parados na Assembléia. Hoje, já são 57 os pedidos de CPIs. A metade delas destina-se a apurar possíveis irregularidades envolvendo o governo Alckmin. Mas as investigações não prosperam. A última CPI instalou-se na casa em junho de 2001.


Com a eleição de Garcia, partidos como PT, PMDB e PC do B, que se opõem a Alckmin, esperavam contar com uma ajuda extra para levar adiante essas CPIs.
O entusiasmo petista com a derrota de Edson Aparecido ficou claro pelas reações que se seguiram. Logo depois da votação, os deputados petistas fizeram uma confraternização para celebrar a derrota do governador, e o presidente nacional do PT, José Genoino, chegou a telefonar para o líder de seu partido na Assembléia Legislativa, Cândido Vaccarezza, cumprimentando-o pela derrota tucana.

Situação difícil
A “situação difícil” mencionada pelo deputado Paschoal Thomeu na conversa gravada é de conhecimento geral na Assembléia. Roseli Thomeu, filha do deputado, não faz segredo da situação financeira da família: “Nossas empresas estão deficitárias. Já foram 30 empresas, com 3.400 funcionários. Hoje, são só três empresas e uma marca, e 180 funcionários. Meu pai mora em um apartamento alugado, por causa das dívidas com bancos”.

Roseli Thomeu disse que a família tem seis grandes áreas na região de Guarulhos, “e as seis estão à venda”. Também confirma que a área de 753.580 metros quadrados que constitui o “Sítio do Vovô”, de posse da família Thomeu há 40 anos, está sendo negociada. A propriedade é avaliada em R$ 30 milhões e fica no bairro de Bonsucesso, na periferia de Guarulhos.

Roseli, entretanto, afirma que o “Sítio do Vovô” deve ser vendido para um grupo particular, que pretende loteá-lo. Diz já ter formalizada a oferta, e que a opção para negociação assinada entre a família Thomeu e o grupo está em vigor, tendo vencido em 29 de junho, com prorrogação por mais 30 dias. Não há garantia da consumação da venda.

 

Leia abaixo trechos da conversa entre Tuma Jr. e Thomeu:

 

Romeu Tuma Jr. – Escuta, você não pode vir com a gente?

 

Paschoal Thomeu – Não, eu tenho um compromisso muito grande. Romeu, to passando uma fase muito difícil. E eu preciso do governador de qualquer jeito, senão eu quebro.

 

Tuma Jr. – Mas pelo menos a gente vai criar uma independência. Porque a eleição ta ganha...

 

Thomeu – Ô Romeu, não tem condição. Você sabe que eu gosto de você. Com você eu ia até o inferno. Mas a questão são as empresas. Eu tenho seis empresas. Eu não estou numa situação (ininteligível). Eu to vendendo umas terras pro CDHU, você entendeu? Pelo amor de Deus, Romeu, me libera.

 

(...)

 

Tuma Jr. – E a segunda chamada? Deixar passar a primeira pra ver, porque se a gente ganhar na primeira, aí você não precisa votar nem um nem noutro.

 

Thomeu – Romeu, não me peça isso, Romeu. Você sabe que eu gosto muito de você e faço qualquer negócio por você. Mas nessa situação, é questão de segurança pro meu grupo. São seis firmas com capital pesado. E estamos em situação muito difícil; e ele está me ajudando muito, o governador.

 

Tuma Jr. – Mas ele prometeu, garante, que vai te ajudar? Porque eles prometem, prometem e não cumprem, né?

 

Thomeu – Não, ele está me ajudando muito. Inclusive aqui, (ininteligível), ele tem nem me ajudado. Eu tenho ido pra frente porque ele tem me dado uma mão. Eu não posso cuspir no prato em que eu como. Você entendeu, Romeu?

 

Tuma Jr. – Você olhou na cara dele, ele falou que vai... vai cumprir?

 

Thomeu – Vai me ajudar. Pode ficar tranqüilo, pode ficar tranqüilo.

 

Tuma Jr. – Ele vai ver esse negócio do CDHU?

 

Thomeu – Vai. Fica sossegado.

 

(...)

 

Tuma Jr. – Mas foi o governador? Não foi o Madeira prometendo..

 

Thomeu – Governador. Foi o governador. Pode ficar tranqüilo.

 

Tuma Jr. - Tá bom. Você é irmão, tudo bem.

 

6/29/2005

Mais uma; Serra fecha 24% das salas de aula

Em vez de solucionar os problemas do Movimento de Alfabetização de Jovens e Adultos (Mova), a administração tucana de José Serra, em São Paulo, resolveu fechar mais de 24% das salas de aula do programa, gerando protestos de entidades. O programa foi implementado na gestão petista de Luiza Erundina (1989-1992), pelo educador Paulo Freire, com cerca de 600 turmas, foi interrompido durante as gestões de Paulo Maluf e Celso Pitta e reativado durante o governo de Marta Suplicy com 1284 classes. "Não tenho sonho nenhum, pois isto é só uma sinalização de que os cortes vão continuar. Este governo, infelismente, corresponde a nossas expectativas", lamentou hoje, em entrevista ao Portal do PT, o vereador Beto Custódio.

Segundo informação oficial, desde o início do ano, 313 das 1.284 classes foram extintas sob alegação de atenderem um número de pessoas abaixo do exigido pela regulamentação. A redução do atendimento, de 25,6 mil pessoas, -número do final do governo de Marta Suplicy-, para 19.420, conforme dados da própria Prefeitura, provocou uma convocatória para as entidades responsáveis pelas aulas do Mova, professores e alunos, fazerem um protesto hoje, às 10h, na Câmara Municipal. A capital de São Paulo tem cerca de 400 mil adultos analfabetos, o que revela uma demanda muito superior à capacidade de atendimento atual.

As entidades criticam a unilateralidade da decisão, sem diálogo com as entidades para saber o motivo dos casos de baixa participação no programa. Segundo elas, a decisão foi baseada em uma única visita ao programa. O vereador petista explicou que a administração encontrou salas com dez alunos, o que ele considera um número bom para um atendimento de qualidade. "Qualquer coisinha será motivo para cancelar o convênio da prefeitura com o programa, em vez de aumentar o programa para atender a enorme demanda", antecipou.

As aulas são ministradas por entidades conveniadas, que recebem R$ 600 por classe ao mês para pagar o educador comunitário, o coordenador e o funcionário responsável pela área administrativa, além da manutenção da sala, viabilizada pela conveniada. Algumas das entidades mantêm o atendimento do programa em regime de voluntariado. A importância do programa é tal que as entidades afirmam que muitos alunos se dispõem a pagar pelas aulas. Beto Custódio diz que há uma esforço para que as entidades não interrompam o trabalho, apesar da ausência de recursos, mas "vá para cima do prefeito".

As entidades comparam a atitude do tucano com a do ex-prefeito Paulo Maluf, quando o Mova sobreviveu durante oito anos, em alguns lugares, por causa da ajuda do próprio aluno, apesar da oferta do acesso à educação ser uma obrigação do poder público. De acordo com a prefeitura, os alunos foram “reagrupados ou orientados a procurar uma escola pública que tenha educação de jovens e adultos”. Beto Custódio acredita que a Prefeitura quer institucionalizar a alfabetização de adultos para acabar com o Mova, transferindo-os para a rede básica. "Uma pessoa idosa ou mais velha não tem o mesmo fôlego para acompanhar o ritmo de quatro horas das crianças, além de necessitarem de um método pedagógico apropriado", ressaltou o vereador.

 

Em vez de solucionar

 os problemas do Movimento de Alfabetização de Jovens e

6/24/2005

Um tributo a Alberet Einstein

Em 1905, Albert Einstein produziu uma tese de doutorado e cinco artigos que mudariam a face da física. Em 1907, ele dá um passo decisivo rumo à generalização de sua teoria da relatividade restrita (ou especial) publicada dois anos antes.

Em 1915, a relatividade geral, uma nova teoria da gravitação, estava pronta. De 1906 a 1911, Einstein praticamente deixou a relatividade para se dedicar à teoria quântica. A alternância entre ambas marcaria sua carreira.

A partir de 1909, Einstein começou a ganhar prestígio. Passou pela Universidade de Zurique, Universidade Alemã de Praga e retornou (ironicamente) para a Politécnica. Em 1913, aceitou ser membro da Academia Prussiana de Ciências. Era, agora, membro da elite da física alemã.

No ano seguinte, seguiu para Berlim. Foi lá que sua faceta política floresceu. Assinou um manifesto contra a entrada da Alemanha na 1ª Guerra Mundial.

Logo depois da relatividade geral, apresentou ao mundo um modelo para explicar o Universo. E, tão impressionante quanto, um livro de popularização sobre as teorias da relatividade. Em 1916 e 1917, com três artigos, voltou à teoria quântica. Esses resultados seriam a base para a construção do laser, quatro décadas depois.

A comprovação histórica da relatividade geral, em 1919, tornou Einstein um fenômeno da mídia. Com a fama, vieram as primeiras manifestações nazistas contra ele e sua obra. Ameaçou deixar a Alemanha, mas foi dissuadido por colegas. Resolveu, no entanto, se afastar de Berlim, iniciando um período de viagens pelo mundo.

As homenagens cresceram na mesma proporção dos ataques nazistas. Em 1932, a situação tornou-se insustentável e ele resolveu aceitar oferta para trabalhar em Princeton, EUA. Ele e a segunda mulher, a prima Elsa, partiram com a intenção de voltar. Porém, sua cabeça foi posta a prêmio por radicais (achou o valor, US$ 5 mil, surpreendentemente alto). Nunca mais voltaria à Europa.

Seu último trabalho importante foi feito em 1925 (nele previu que um aglomerado de partículas a baixíssimas temperaturas poderia se comportar como um átomo gigante). Em 1935, já em Princeton, publicou um artigo que punha em dúvida os rumos tomados pela teoria quântica e que foi fundamental para dar fôlego ao debate que ele e o físico dinamarquês Niels Bohr travavam desde 1927 --e que se estendeu até a morte de Einstein, em 1955. Nas décadas seguintes, dedicou-se, sem sucesso, à unificação dos fenômenos eletromagnéticos e gravitacionais. Até hoje essa tarefa atormenta a cabeça dos físicos.

Agora, a ciência, foco de sua vida emocional, cedia parte de seu tempo para a militância política. As bombas nucleares lançadas sobre o Japão o deixaram arrasado. Passou, então, a defender uma base política supranacional para fortalecer a paz mundial. Foi chamado de ingênuo e atacado por capitalistas e socialistas.

Einstein também foi paradoxal. Como internacionalista, defendeu a identidade do povo judeu --mas recusou a presidência do Estado de Israel quando esta lhe foi oferecida, em 1952. Como pacifista, disse que o nazismo deveria ser enfrentado com armas; como humanitário, deu pouca atenção à própria família. Não há biografia definitiva de Einstein. E provavelmente nunca haverá.

Nossa Defesa

"Meus amigos e minhas amigas,
Hoje quero falar com vocês sobre uma assunto muito sério: corrupção. Esse é um tema que ao longo dos anos tem significado um grande pesadelo para governantes e, ao mesmo tempo, uma grande vergonha para o povo brasileiro.

Quero começar esta minha fala dizendo duas coisas. Primeiro: o corrupto deve ser sempre punido, e sempre de forma exemplar. Seja ele quem for, venha de onde vier, seja adversário e aliado. Como sabemos, a corrupção é uma doença antiga. Mas muito podemos fazer contra esse câncer que corrói nosso país.

Segundo: se tem um governo que tem sido implacável no combate à corrupção, desde o primeiro dia, é o meu governo. Nunca o Brasil viu tanta gente importante e poderosa sendo presa por corrupção e por fraude contra os cofres públicos como agora: empresários, juízes, delegados, políticos, policiais e funcionários públicos que, há anos, às vezes há décadas, agiam impunemente.

Isso pode até dar a falsa impressão de que a corrupção tem aumentado, quando, na verdade, o que aumentou, e muito, foi o combate à corrupção e, em decorrência disso, aumentou naturalmente a quantidade de prisões e ações da Polícia Federal, que aparecem quase todos os dias na televisão e nos jornais.

Nestes dois anos e meio, já foram presas 1.006 pessoas acusadas de corrupção. E a nossa polícia desbaratou redes do crime, responsáveis por desvios de bilhões e bilhões de reais; esquemas que existiam há muitos anos e não eram investigados.

Na verdade, nunca a Polícia Federal foi tão livre, ágil e eficiente como agora. E nunca o Ministério Público teve tanta colaboração para cumprir as suas obrigações constitucionais.

Tenho afirmado que o combate à corrupção é como uma casa onde há muito tempo não se faz uma limpeza de verdade, e onde muita sujeira está acumulada há muito tempo. Quando você começa a limpar, o que mais aparece é lixo: atrás da porta, debaixo dos móveis, dentro dos armários.

Esse é um governo que não tem jogado a sujeira pra debaixo do tapete. E garanto a vocês, que enquanto eu for o presidente do Brasil, todos os órgãos do governo, os Ministérios, a Polícia Federal, todas as nossas instituições democráticas estarão sempre, cada uma em sua área, empenhadas em examinar as denúncias, investigar, e se necessário for, punir exemplarmente.

O Brasil tem maturidade para corrigir seus próprios erros. Além disso, feliz do país que tem uma imprensa livre e democrática que a tudo pode acompanhar, fiscalizar e investigar. Sou daqueles que acreditam que a verdade sempre prevalece, mais cedo ou mais tarde.

Em momentos críticos como o atual, parece que tudo se nivela por baixo. Parece que todas as pessoas são iguais. Mas isso são apenas aparências.
Uma investigação profunda, como a que está sendo feita pela Polícia Federal, e agora reforçada pela CPI, logo, logo, para o bem do Brasil, saberá separar o joio do trigo, o bem do mal, a verdade da mentira. E garanto a vocês: se houver gente que tenha cometido desvios de conduta, usarei toda a força da lei.

Quando convidei um dos mais importantes juristas desse país, o doutor Márcio Thomaz Bastos, para ser ministro da Justiça, lhe entreguei também a missão de combater a corrupção com toda a firmeza e de todas as formas possíveis.

Para isso, dobrei o orçamento da Polícia Federal e determinei que no meu governo, a polícia não iria agir politicamente, prendendo os pequenos e fechando os olhos para os grandes.

Cabe ao governo também se antecipar à corrupção, criando mecanismos de controle e de fiscalização para que ela não chegue a acontecer. É por isso que, logo que assumi o governo, criei um importante órgão, a Controladoria-Geral da União, que sob o comando do ministro Waldir Pires já realizou mais de 7.500 auditorias em órgãos federais, e tem feito o que nunca foi feito antes nesse país: fiscalizar os recursos federais que são repassados aos municípios brasileiros para que não haja corrupção.

E o resultado tem sido surpreendente: dos 700 municípios que já receberam auditoria, um grande número de prefeituras comete graves irregularidades de desvio de dinheiro, e já foram denunciadas ao Ministério Público.

Criamos também o portal da transparência, que permite, por meio da internet, que qualquer cidadão ou cidadã saiba, a qualquer momento, de várias informações importantes que dizem respeito
À sua cidade, como por exemplo, quanto de dinheiro público federal foi enviado para a educação, para a moradia e para a saúde, quantas são e quais os nomes das pessoas que recebem o bolsa família.

Se você tiver interesse em conhecer essas informações, é só acessar agora mesmo o site na internet. Não precisa nem de senha.
É nossa intenção que o povo brasileiro seja estimulado a dar sua contribuição no controle e fiscalização. O Brasil precisa contar mais com a participação da sociedade e de suas lideranças no combate à corrupção.

O que faz um ser humano honesto é o seu caráter, os valores que aprendeu com seus pais e que transmite para seus filhos, não o poder político que eventualmente recebeu numa eleição, e que é absolutamente passageiro.
O meu compromisso com o Brasil, com o povo brasileiro e com as instituições democráticas, é um compromisso de longo prazo.

A minha luta é para que o desenvolvimento seja sustentável e duradouro, pois só assim criaremos empregos, distribuiremos renda e faremos justiça social. Não há nada que vá me demover deste caminho.

Tenho apenas dois anos e meio de governo, dois anos e meio. E durante esse pouco espaço de tempo, muita coisa já mudou neste país.

A economia está em ordem, as exportações continuam crescendo, o Risco Brasil continua caindo, o comércio e a indústria continuam empregando. E uma grande quantidade de projetos sociais se estende por todo território nacional.

E vejam: nos dois primeiros anos, arrumamos a casa e começamos a implantar os nossos projetos. Mas é exatamente daqui pra frente que todo esse trabalho começa a aparecer e a mostrar seus resultados.

Já a partir do mês de agosto, vamos dar início ao projeto rio São Francisco, que vai por um fim ao sofrimento de mais de 12 milhões de famílias nordestinas e acabar de uma vez por todas com a indecente indústria da seca, que se enchia de dinheiro às custas da miséria do povo.

O meu objetivo é claro: fortalecer o país, proteger os brasileiros mais pobres e fazer crescer a economia. Esse é o sentido maior que exige o espírito de colaboração, a mão estendida, mesmo na diversidade de opiniões.

Acima de interesses particulares está o interesse nacional, a preservação e o aperfeiçoamento das instituições. Tenho certeza que o Congresso Nacional saberá apurar todas as denúncias e que ao mesmo tempo continuará trabalhando para que os projetos de interesse do Brasil sejam discutidos e votados.

São esses os propósitos do meu governo, que estará sempre aberto para todos aqueles que estão buscando, verdadeiramente, o bem do nosso país e do povo brasileiro.

 

Luiz Inácio Lula da Silva

Presidente da Republica Federativa do Brasil

 
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